Há milhares de euros a chegarem a Sistelo para preservar o património e a paisagem

Investimento prevê a recuperação de moinhos, espigueiros, caminhos e ecovia do Vez.

Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017. O ano estava quase no fim, mas trouxe um percalço ao Presidente da República: Internado de urgência, viu-se obrigado a antecipar uma operação que já tinha agendada para Janeiro de 2018.

No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa não pousou a caneta para lá do tempo estritamente necessário e foi por isso a partir do Hospital Curry Cabral, onde se encontrava em recobro após cirurgia a uma hérnia umbilical, que o chefe de Estado promulgou o diploma que reconhece a paisagem humanizada de Sistelo enquanto Monumento Nacional, o primeiro deste género a ser atribuído à paisagem.

A notícia chegou antes da passagem de ano e aumentou as razões para festejar, antevendo um ano de 2018 auspicioso para a freguesia do concelho de Arcos de Valdevez, abrindo uma nova fase para o trabalho de casa que já vinha sendo feito desde 2015, quando a autarquia, apoiada pelas entidades regionais, submeteu a candidatura à Direcção Geral do Património Cultural (DGPC).

Entretanto já muito aconteceu: A freguesia rural arcuense sagrou-se vencedora da edição de 2017 do concurso “7 Maravilhas de Portugal – Aldeias”, que se traduz agora numa estratégia conjunta de promoção das sete localidades vencedoras, que a autarquia arcuense promete complementar com outros apoios que visam significativas intervenções de promoção e recuperação do património.

A recente visita da Directora-Geral Direcção Geral do Património Cultural, Paula Silva e do Director da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN), António Ponte, no final de Abril, assinalou o arranque de algumas acções de promoção, nomeadamente a inauguração de dois totens informativos que indicam a classificação de Sistelo como Paisagem Cultural e Monumento Nacional, mas também como uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de aldeia rural.

Na sua visita ao terreno classificado da Freguesia de Sistelo – uma área de 228 hectares, que abrangem os Lugares de Igreja, Padrão e Porto Cova – os representantes das entidades estatais firmaram a sua ligação institucional entre o município de Arcos de Valdevez, que agora parte para a fase de intervenções e acções na área a preservar.

A atractividade da ecovia – ou passadiços – que segue junto à margem do Rio Vez desde Sistelo até à sede do concelho, tem cativado um número significativo de turistas que, com a mediatização da freguesia nos últimos meses, querem conhecer uma freguesia que tem muito para oferecer enquanto paisagem e imagem postal, mas ainda com trabalho por fazer no momento de gerar valor com as visitas ao território.

O Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves, garante ao “Jornal AVV” que a autarquia tem em curso candidaturas que assegurarão notórias melhorias no que respeita à preservação de património histórico e de atendimento aos visitantes.

“Estamos uns milhões de investimentos atrasados, mas estamos a tentar ganhar forma para criar no concelho de Arcos de Valdevez mais um ponto de atracção”

Além das candidaturas efectuadas – uma aprovada, na ordem dos 250 mil euros, e outra à espera de aprovação, a rondar os 200 mil euros – que representam um significativo investimento público na recuperação do património, como será a intervenção no palácio (ou castelo, pelas torres que lhe dão uma imagem medieval, embora seja uma construção de finais do século XIX) do Visconde de Sistelo, transformando-o em centro interpretativo da paisagem, o autarca realçou ainda “o investimento privado que está a decorrer. A paróquia, juntamente com um privado, vão abrir um restaurante”, referiu o autarca, destacando ainda a iniciativa de alguns dos locais, que estão a criar alojamento para o turismo.

“Há todo um processo de desenvolvimento que está a acontecer para que este investimento seja feito com sustentabilidade e possa fixar pessoas”, acrescentou João Manuel Esteves.

O turismo enquanto oportunidade para a economia local da freguesia de Sistelo começa agora a gerar interesse e iniciativas entre os residentes, com a instalação de uma exposição etnográfica no Centro Cultural da aldeia, ou a prestação de informações aos turistas por “um jovem professor do Ensino Básico” que orientará os visitantes.

O edil arcuense espera que esta campanha turística faça renascer em Sistelo a componente dos serviços mas também a agricultura, o comércio e a criação de animais, uma vez que a estratégia, que assenta no turismo de experiências associadas aos produtos locais, levará por extensão a necessidade de desenvolvimento destes sectores.

Na calha estão por isso algumas melhorias para lá do centro urbano da freguesia. Será instalado um photopoint, promovido pela campanha conjunta das 7 Maravilhas de Portugal, mas também um investimento, no âmbito do programa Valorizar, que compreenderá a intervenção nos espigueiros (ou canastros) no Lugar de Padrão e num moinho em Porto Cova. Este tipo de edificados, que servem para o armazenamento e moagem do milho, respectivamente, serão também recuperados em maior escala através de outra ferramenta de apoio (o Leader – Programa de Desenvolvimento Rural). A candidatura permitirá “a recuperação de moinhos, um conjunto alargado de espigueiros, um ponto de informação em Padrão, intervenção em alguns caminhos e no passadiço”, assegurou João Manuel Esteves.

“Estamos uns milhões de investimentos atrasados, mas estamos a tentar ganhar forma para criar no concelho de Arcos de Valdevez mais um ponto de atracção”, observou ainda o autarca arcuense, que assume apostar na “descentralização cultural” e provocar aos novos visitantes “a necessidade de ficarem mais tempo nos Arcos”.

Recomendado:

0 comentários