Vasco Croft, o filósofo dos “vinhos biodinâmicos” Aphros

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Aphros
Artur Azevedo

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Susana Valente

No coração do Alto Minho, na freguesia de Padreiro da vila raiana de Arcos de Valdevez, fervilha um dos projectos mais entusiasmantes da actualidade dos vinhos produzidos em Portugal, graças à eterna busca filosófica de Vasco Croft, um arquitecto que deixou tudo para fazer brotar a marca Aphros.

Esta linha de vinhos de produção limitada e que tem merecido amplo reconhecimento de vários especialistas estrangeiros, é maioritariamente exportada. A garrafeira da Virgu Wines é um dos poucos lugares onde em Portugal se pode comprar toda a gama da Aphros.

“Uma adega ecológica modelo”

Nascida na  Quinta dos Phaunus (Quinta do Casal do Paço), em Padreiro, Arcos de Valdevez, na Região dos Vinhos Verdes, a Aphros é a cara do seu criador, “um fauno disfarçado, a viver uma deliciosa vida decadente na adega, rodeado pelas mais perversas das ninfas”, como o próprio Vasco Croft fala de si no site desta marca de vinhos.

Este minhoto de alma que cresceu em Lisboa e que se assume como um “metafísico”, estudou filosofia, mas virou arquitecto e designer de móveis na capital.

A sua eterna busca “existencial”, que o move desde a tenra juventude, levou-o a descobrir o trabalho de Rudolf Steiner, o fundador da agricultura biodinâmica, e foi esse o rastilho que o levou a regressar às raízes familiares, em Arcos de Valdevez.

Deixou para trás a vida na capital e usou a mestria arquitectónica para renovar a Quinta do Casal do Paço, um imóvel que está na sua família desde o Século XVII.

Em 2004, lançou a marca Aphros, nome inspirado na espuma filosófica da qual nasceu a deusa Afrodite. E foi com esse mesmo romantismo, mas com a certeza de quem sabe bem o que faz, que lançou o conceito dos vinhos “biodinâmicos”.

“Simplicidade” com “menos tecnologia”

Com os ensinamentos de Steiner na bagagem, Vasco Croft criou “uma adega ecológica modelo” que vive da agricultura sustentável e que tem em conta o todo do ecossistema, desde as vinhas às árvores que as circundam, passando pelos javalis selvagens, as raposas e os cavalos garranos típicos da zona, e ainda pelas abelhas e pelas plantas autóctones que são utilizadas para reduzir pragas e doenças.

Isto sem esquecer as influências do sol e da lua que, desde tempos imemoriais, sempre guiaram os camponeses do Alto Minho.

“Simplicidade” com “menos tecnologia” e mais “significado”, resumia Vasco Croft numa entrevista, em Agosto de 2016, ao site Maker’s Table da reconhecida e premiada crítica de vinhos Meg Houston Maker.

Uma abordagem filosófica, mas que é também pragmática porque significa “ter a natureza a funcionar a favor dos vinhos”, como sublinhava no referido site, evidenciando aquela que é a sua principal missão, criar um produto final de extraordinária qualidade.

Eleito produtor revelação do ano em 2012, graças ao seu verde tinto Aphros Vinhão que está à venda na Virgu Wines, Vasco Croft tem originado vários artigos em blogues e jornais por todo o mundo e já expandiu a sua produção para mais duas quintas na zona dos rios Lima e Vez, a Espadanal e a Quinta de Valflores, onde as suas mais recentes “odes” ao vinho nascem sem recurso a electricidade.

“Quinta dos Phaunus”, o novo nome que Vasco Croft dá à Quinta do Casal do Paço
Vasco Croft

A Quinta dos Phaunus, em Padreiro

 

Vasco Croft, o filósofo dos vinhos biodinâmicos Aphros, dá mais um passo rumo à produção de vinhos totalmente naturais com o seu mais recente projecto “Quinta dos Phaunus”.

O produtor de vinhos da Região dos Vinhos Verdes está a transformar a Quinta Casal do Paço, em Arcos de Valdevez, num espaço de encantamento, em que as uvas se tornam no maravilhoso néctar dos deuses num processo totalmente artesanal, prescindindo inclusive da electricidade.

A “Quinta dos Phaunus”, o novo nome que Vasco Croft dá ao local, é a reencarnação da “transformação radical” que aconteceu na adega minhota, nos últimos anos. É uma verdadeira transmigração para uma nova vida, conforme refere o produtor minhoto, lembrando os princípios da filosofia budista.

Uma adega “medieval”

O centro de produção dos vinhos Aphros mudou-se assim, para instalações modernas nas proximidades da Quinta do Casal do Paço, para uma adega construída de raiz, ideal para fermentar os vinhos biodinâmicos.

Esta mudança permite que a velha adega se dedique exclusivamente à produção de “vinhos radicalmente artesanais”, nas palavras de Vasco Croft. O “radical” reporta-se, nomeadamente, à electricidade que foi banida da produção na “Quina dos Phaunus”.

“Quando carregamos no botão e a máquina faz o seu trabalho, desligamos o nosso envolvimento energético”, nota o produtor, realçando que “aplicar energia e atenção tem implicações, tanto connosco, como com o produto final”.

Produção em ânforas antigas

Estes vinhos “medievais” com a chancela Phaunus, que também podem ser aquiridos na Virgu Wines, nas versões Rosé Palhete 2016, Branco Loureiro 2015 e Espumante Pet Nat 2016, são produzidos em ânforas, “o material mais antigo usado” para o efeito, segundo nota Vasco Croft.

Estas ânforas ancestrais permitem fazer vinho com uma “intervenção enológica mínima”, dando azo a que todas as qualidades das uvas se evidenciem naturalmente e gerando assim, um néctar único e irrepetível.

A par da transformação da adega num espaço quase medieval, Vasco Croft também remodelou outras áreas da Quinta, como a Casa do Sequeiro, a Casa da Tulha e a Capela, dando-lhes um novo visual e uma nova funcionalidade como apartamentos para acolher hóspedes.

A ideia passa por levar “mais vida cultural” à “Quinta dos Phaunus”, transformando-a num “espaço de encontro e de reflexão, onde as pessoas vêm para estar e experienciar outras coisas, além de provas de vinho e de visitas às instalações”, explica o “filósofo” dos vinhos biodinâmicos.

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