Independente por um dia

Germano Vieira foi incisivo e polémico enquanto deputado independente.

Após o desacordo entre a Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Arcos de Valdevez e um dos seus históricos militantes, Germano Abreu Vieira subiu pela primeira vez ao púlpito da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez enquanto deputado independente no dia 29 de Junho, fazendo uso dos minutos que o regimento lhe colocou à disposição.

Enquanto a cisão entre o militante socialista e a liderança da Concelhia do PS local não se efectiva ou reverte, Germano Vieira teve oportunidade de cumprir a sua função no órgão municipal pela primeira vez como independente, até que o Grupo socialista nomeie novo elemento para o lugar antes por si ocupado.
A retirada de confiança política por parte da concelhia do PS local não intimidou a primeira participação activa e sem compromisso político de Germano Vieira, que aproveitou criticar abertamente e manifestar desacordo em relação a assuntos ‘sagrados’ (literalmente) da comunidade arcuense.

Defendendo os princípios de um Estado laico, contestou os apoios concedidos pela Câmara Municipal à Fábrica da Igreja Paroquial de Santa Maria Madalena de Jolda e Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro do Couto – o total de ambos os projectos de renovações e acabamentos representa um investimento superior a 100 mil euros – e recomendou a estes organismos religiosos outras fontes de financiamento.

“Penso que o banco do Vaticano tem melhor situação financeira que a Câmara de Arcos de Valdevez, portanto acho por bem que os senhores destas freguesias comecem a solicitar apoios ao Vaticano e não à Câmara dos Arcos. Porque há outras prioridades, naturalmente”, atirou.

Outra das instituições visadas foi a Rádio Valdevez, apoiada pelo município para fazer face às despesas de reconstrução do Centro Emissor de Padroso, atingido por um raio no dia 30 de Março deste ano, tendo ficado destruído e obrigado à suspensão da emissão durante cerca de dois meses. “Também sou contra porque não é uma rádio isenta. É um meio de propaganda da câmara municipal, assim como o Notícias Arcoenses, que aproveito para perguntar ao senhor presidente [da Câmara Municipal] se sabe quem é que financia este jornal. Um jornal que tem distribuição gratuita, ninguém sabe quem é que financia”.

O deputado estreante visou ainda a FOLIA – Associação de Festas e Animação Cultural de Arcos de Valdevez (Salvador) que, “como é uma instituição que recebe fundos do erário público, as contas deviam ser públicas, toda a gente devia saber o activo e o passivo”.

Noutros momentos da noite em que assumiu o período de tempo que lhe estava destinado à intervenção, Germano Vieira questionou ainda a composição da Comissão de Toponímia, pela forma como terá sido alterado o nome de uma rua, nomeadamente a que dá acesso ao edifício Vila Gerações, da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez. “Existe uma rua na sede de concelho cujo nome não foi à aprovação em reunião de Câmara, nem à apreciação da Comissão de Toponímia?”, inquiriu.

Tendo em conta a reorganização do Grupo do PS de Arcos de Valdevez na Assembleia e em caso de presença dos seus deputados, a chamada de Germano Vieira enquanto independente afigura-se remota, mas o deputado não se coibiu em tecer uma primeira intervenção com contundência crítica.

Actualização 12/7/2018 10h26

Recomendado:

0 comentários