Rio Vez: Poluição ou “confusão”?

Partidos defendem a preservação da biodiversidade do rio, “inclusive na travessia urbana”.

O período antes da Ordem do Dia da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez, a 29 de Junho, começou por discutir o rio Vez, as alegadas descargas poluentes da água e a limpeza das margens recorrendo aos “cortes rasos até à linha de água” da vegetação que ladeia as margens do rio, conforme já noticiado pelo Jornal AVV.

Os grupos municipais dos partidos da oposição representados nesta Assembleia juntaram a sua voz às denúncias que têm surgido nas redes sociais, no sentido de apelar a uma melhor averiguação dos casos de cheiros ou de turvação da água do rio, sobretudo no seu troço urbano, procurando assegurar que os eventos dos últimos dias não terão origem em descargas ilegais e prejudiciais da qualidade da água.

No que ao zelo das margens do rio diz respeito, denunciadas por Bernardete Amorim a este jornal pelo corte indiscriminado de vegetação que serve de abrigo à fauna natural existente, os grupos municipais do PS e do CDS-PP alertaram para os efeitos nefastos que este corte raso poderá provocar a longo prazo.

 

“Compreende-se a necessidade de manter o asseio das margens do rio Vez, sobretudo na zona urbana, no controlo da vegetação, mas não compreendemos a necessidade da intervenção ser tão intensa, destruindo quase sempre a vegetação ripícola autóctone, impedindo por exemplo o crescimento de novos amieiros e choupos brancos, além de promover o aumento da erosão das margens”.
Álvaro Amorim
CDS-PP

O deputado da oposição pedia ainda “maior fiscalização eliminação definitiva dos focos de poluição e maior cooperação com as entidades policiais no sentido de identificar e punir quem continua a atentar contra um património que é de todos”.

Para que a garantia de que um dos cartões-de-visita de Arcos de Valdevez se mantém limpo e naturalmente equilibrado dentro e fora do caudal, o Grupo Municipal dos democratas cristãos recomendaram à gestão do serviço “que se dê formação adequada aos funcionários municipais responsáveis pela limpeza das margens do rio Vez para que a limpeza não seja tão intensiva e seja feita de acordo com as boas práticas para este tipo de locais e se aplique uma política de preservação das espécies não invasoras”.

Também atento à mobilização popular nas redes, o grupo municipal do Partido Socialista indica que a “rurbanidade” que caracteriza o centro da vila arcuense não pode descaracterizar a envolvente do rio com as “constantes limpezas e cortes rasos até á linha de água” da vegetação existente nas margens do Rio Vez, correndo o risco de favorecer o surgimentos de “espécies exóticas”.

 

“Essa vegetação é parte de ecossistemas e habitats ribeirinhos que contribuem para a riqueza ambiental e biodiversa que o rio Vez apresenta. O corte raso contínuo contribui para a destruição de ecossistemas levando a perdas ambientais e de biodiversidade, permitindo por outro lado a instalação de espécies exóticas. A ‘rurbanidade’ que caracteriza a nossa vila, porque apesar de se tratar do tecido urbano, tem um forte vínculo rural, é uma das peculiaridades que a fizeram uma das mais belas do Alto Minho e a recente aposta municipal, que louvamos, em voltar a vila para o rio é de facto prova disso mesmo” .
Vítor Sousa
PS

O deputado salienta ainda que o concelho, sendo “no seu todo”, integrante da “reconhecida Reserva Mundial da Biosfera Gerês-Xurês” deverá promover “internamente o debate de forma a preservar a qualidade ambiental e a biodiversidade do rio Vez, inclusive na sua travessia urbana”.

Rui Aguiam, Presidente de Junta da União de Freguesias de Arcos de Valdevez (Salvador), Vila Fonche e Parada, desagravou o soar dos alarmes que a população fez soar relativamente á poluição do rio: “Tudo o que se diz e se escreve sobre o rio Vez, não é poluição, é confusão”.

Mais cautelosa foi a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves, preferindo envolver a comunidade atenta às ocorrências no processo de detecção dos eventuais focos poluentes.

Neste aspecto, o autarca referiu que alguns técnicos esclareceram que alguns eventos menos comuns, como a espuma ou a turvação da água, podem ocorrer após “chuvadas intensas”, mobilização de terras, obras ou “questões biológicas”.

“Avisem-nos para que imediatamente se consiga identificar essas ou outras ocorrências. Todas são importantes para que se consiga erradicar situações que possam acontecer, mas não há focos de poluição conhecidos”, reiterou.

Sobre a limpeza das margens, João Manuel Esteves diz que este tipo de intervenção, por se realizar em áreas artificializadas, a sua gestão “não se coloca da mesma maneira” que às restantes áreas naturais “mas também estamos cada vez mais atentos a essas situações e galerias ripícolas”.

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