Fumeiro sem fumo? Regulamentação da UE mais exigente na redução do potencial cancerígeno

O fumeiro tradicional, conhecido pelas características de produção, mas também pelo método de secagem e geografia do território que lhe está associado, mereceu especial atenção do projecto RevitAGRI – PNPG (Revitalização dos Sectores Produtivos e Tradicionais do Parque Nacional Peneda-Gerês).

A iniciativa coordenada pela Escola Superior Agrária em parceria com a Escola Superior de Ciências Empresarias, ambas da rede de escolas do IPVC, envolve os concelhos integrantes do PNPG – Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Melgaço, Terras de Bouro e Montalegre – e as associações locais ADRIMINHO, ADRIL, ADER e ATAHCA.
O projecto tem promovido seminários e sessões de esclarecimento no concelho de Arcos de Valdevez sobre a valorização dos recursos endógenos e pretende firmar-se como “uma mais-valia aos produtores”, mas também perceber os “constrangimentos” dos sectores que tem como berço produtivo o PNPG, como esclareceu Júlio Lopes, docente da Escola Superior Agrária do IPVC e membro da equipa responsável pelo RevitAGRI.

A sessão de esclarecimento sobre a fileira do fumeiro tradicional decorreu em Castro Laboreiro (Melgaço), no último mês de Maio, onde o alerta sobre a utilização do fumo nos fumeiros tradicionais mereceu atenção e esclarecimento.

Cura pelo frio poderá ser solução ao fumo para minimizar riscos para a saúde

Com a regulamentação europeia cada vez mais exigente nas condições higiossanitárias dos produtos em circulação no mercado internacional, a utilização do fumo enquanto método de secagem poderá vir a ser fortemente limitada no futuro.
Esta técnica ancestral, não sendo já determinante para a conservação do fumeiro, é ainda factor diferenciador pelo sabor característico que confere aos enchidos ou presunto tradicional, mas comporta alguns riscos para a saúde, se consumido com frequência.

“O fumo leva à acumulação de alguns compostos aromáticos que se acumulam no fumeiro e que, da mesma forma que o tabaco, têm um potencial carcinogéneo”, explica Júlio Lopes.

 

Técnicos do Programa RevitAGRI em Castro Laboreiro. Foto © João Martinho

 

Para já, apesar de já estarem definidos os limites máximos permitidos para a presença desses compostos no produto destinado à venda no espaço europeu, a regulamentação europeia concede algumas excepções, se consumidos no país de origem.
No entanto, é uma garantia sem prazo: O regulamento parece dar alguma paz aos pequenos produtores tradicionais, mas a longo prazo a normativa poderá ser mais intransigente, como avisa o representante do RevitAGRI.

“Na regulamentação europeia que está em vigor, estão elencadas várias excepções, como a dos produtos tradicionais, que podem ter níveis superiores, desde que comercializados no país de origem. Para ser exportado para o mercado europeu, tem de cumprir esses limites”.

A cura pelo frio enquanto método de conservação dos enchidos e carnes ‘fumadas’ é já amplamente utilizado por grande parte das produções industriais, que compensam a propriedade organoléptica do sabor dada pelo fumo com recurso a aromatizantes, “alguns artificiais”, mas também esses “terão limites”, adiantou o professor e promotor do projecto RevitAGRI.

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