Desigualdades territoriais

Ultimamente todos falam do interior, de um Portugal profundo, deprimido, desertificado, envelhecido e empobrecido. Até parece que, de repente, todos descobriram que existe uma realidade nova: a coesão territorial e a necessidade de corrigir as assimetrias territoriais.

A coesão territorial é, sem dúvida, um imperativo nacional, que a todos deve congregar, por forma a que Portugal não seja cada vez mais um país a duas velocidades… onde temos no pelotão da frente as grandes áreas metropolitanas e no pelotão de trás todo o restante território.

Para muitos quando se pensa neste país a duas velocidades, em territórios de Baixa densidade, ou territórios de convergência, pensa-se imediatamente no interior, entendido em termos geográficos, como é o caso do Alentejo, Beiras ou Trás os Montes, mas tal visão é demasiado simplista porque na realidade existem muitos interiores… por exemplo o distrito de Viana do Castelo embora tenha a sua capital de distrito situada no litoral, grande parte do seu território tem índices de desenvolvimento só comparáveis aos chamados distritos de interior… e debate-se com todos os problemas do chamado interior profundo…

E como não bastasse este cenário ainda acresce o facto de estarmos a falar dum território transfronteiriço que tem, mesmo ali ao lado a Galiza… Sim este território deprimido ainda necessita concorrer com áreas altamente desenvolvidas como Vigo, Corunha, S. Tiago de Compostela…

Perante este cenário mais do que se justificava como justifica a aplicação de medidas de discriminação positiva que permitam ao Alto Minho fazer face a esta complexa realidade, onde se mistura, litoral, interior e a concorrência direta com Espanha… No entanto, infelizmente para todos nós, o Alto Minho, talvez porque se pensa que está no Litoral, continua esquecido por este governo e entregue à resiliência das suas gentes.

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