Os fortins do Extremo alvo de estudo

Com um investimento a rondar os 20 mil euros, avança, no Extremo, um amplo projecto da autarquia de conservação dos Fortes do Bragandelo e da Pereira, edificados no século XVII naquela freguesia do nosso concelho, com o objectivo de albergar guarnições portuguesas que defendiam aquela importante passagem das arremetidas do exército espanhol durante a Guerra da Restauração.

Sabe-se dos bancos de escola que, entre 1580 e 1640, o nosso país viveu formalmente debaixo da autoridade castelhana — a chamada dinastia Filipina — que viria a ter o seu epílogo a 1 de Dezembro com a vitória da conspiração de 1640, planeada e executada por fervorosos fidalgos nacionalistas que, logo vitoriosa que foi a revolta, aclamaram D. João IV como rei de Portugal. 

Entretanto, os castelhanos, empenhados noutras contendas bem mais importantes e decisivas para a sua própria soberania, como a Guerra dos Trinta Anos e a Revolta da Catalunha, colocaram a questão portuguesa no fim das suas prioridades, e as batalhas que se travaram entre os dois reinos longe de serem encarniçadas, reflectiam a justa dimensão das preocupações dos nossos vizinhos. A não ser assim, muito mais graves teriam sido as consequências das refregas e a dimensão dos problemas portugueses. 

De qualquer forma, os oito confrontos bélicos de que há registo — a chamada Guerra da Restauração —, deram-se ao longo de 25 anos, vindo a terminar em 1668 com a assinatura de um tratado de paz, assinado pelo infante D. Pedro, ainda regente, pelo lado português, e Carlos II, rei de Espanha. 

Foi pois, durante este período de guerra permanente, que os dois fortes do Extremo foram construídos. Eram, por assim dizer, a guarda avançada que tinha por missão proteger aquela zona fronteiriça das intrusões das tropas espanholas.

A pensar na sua inserção no programa municipal de comemoração do Ano Europeu do Património Cultural, a autarquia arcuense decidiu solicitar a colaboração da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho que, aceitando o repto, tem já a trabalhar no local uma equipa que terá como prioridades, nesta fase e até final do mês, pôr em prática o projecto de , conservação, estudo, valorização e divulgação destas edificações de características militares, integradas num conjunto mais vasto de construções destinadas à nossa defesa durante a Guerra da Restauração.

A presente fase incidirá , como refere a nota para a comunicação social emitida pelo município, na prospecção sistemática do sítio, realização de levantamentos pontuais e sondagens arqueológicas.

Esta acção, ainda segundo a Câmara, terá continuidade no próximo ano, igualmente com intervenções de estudo e valorização.

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