Recontro de Valdevez: 700 figurantes para a história de um conflito com quase 900 anos

Fair-play: Até os espanhóis quiseram assistir ao ‘bafordo’ entre primos que deu origem a uma nação

A História de Portugal enquanto nação passa por Guimarães e Arcos de Valdevez. As localidades minhotas “complementam” entre si importantes momentos que determinaram a independência de Portugal e Arcos de Valdevez quis mostrar “com rigor histórico” o que se passou no Recontro (ou Bafordo) de Valdevez em 1141.

Fogo de artifício no Paço de Giela. Foto © João Martinho / Jornal AVV

Para o efeito, no fim-de-semana de 7 e 8 de Julho, cerca de 700 figurantes, tendas e aparatos, rodearam o Paço de Giela para trazer através dos séculos um trecho da história arcuense que tem como protagonista aquele que viria a ser o Rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Foto © João Martinho / Jornal AVV

“As recriações históricas ganham cada vez mais forma pelo mundo inteiro”, ressalvou o presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves já após o artifício do último dia, por isso acorreu a Arcos de Valdevez parte desse mundo e até alguns representantes do país que saiu a perder no ‘bafordo’ de 1141, que quiseram ver de perto a representação daquela que é também a sua história.
As perícias de Cavaleiros, a Investidura dos Cavaleiros Petizes, momentos de espectáculos musicais e outros foram preenchendo o espaço histórico do concelho até ao momento alto de cada um dos dias do evento, que em cada um dos dias encerrava com a recriação histórica do ‘bafordo’ em que os dois primos, D. Afonso Henriques e Henrique VII (por Leão e Castela), disputavam a gestão do território.

Recriação histórica no Paço de Giela. Foto © João Martinho / Jornal AVV

É uma história que toda a gente sabe como acabou, no entanto a frase “Arcos de Valdevez, onde Portugal se fez” e a recriação histórica levada a efeito reforçam a “grande força identitária” e o “orgulho de pertencer a um território”, como reforça o autarca arcuense, que olha para a estratégia do primeiro Rei português como exemplo de aproveitamento de recursos.

“A grande mensagem que encerra o Torneio de Valdevez é que, já em pleno século XII, aquele que seria o nosso primeiro rei de Portugal utilizava muito bem os recursos. Procurou pensar naquilo que poderia fazer e encontrar formas para que o seu território e a sua gente pudesse viver melhor. Esse é o designio que continuamos a fazer enquanto autarquias, associações e população, continuar a construir o futuro que queremos para Arcos de Valdevez”.

A cidade de Guimarães e Arcos de Valdevez constituirão a “rede de locais associados à fundação da nacionalidade portuguesa”, onda constarão outras localidades. A coexistência entre as localidades minhotas enquanto território importante para a história portuguesa é por isso de “complementaridade” na missão de afirmar o país.

Recriação histórica no Paço de Giela. Foto © João Martinho / Jornal AVV

“Pois se em 1128 foi com São Mamede que se deu o primeiro grito, quando D. Afonso Henriques disse à mãe que não queria que o condado portucalense estivesse na mão de Leão e Castela, foi aqui (Arcos de Valdevez) que afirmamos algo importante, o confronto onde os primos [D. Afonso Henriques e Afonso VII] se juntaram para determinar os termos daquilo que viria a ser o Tratado da independência de Portugal, em 1143”, destacou João Manuel Esteves.

Público na recriação “Torneio d’Armas a Cavalo”. Foto © João Martinho / Jornal AVV

O rigor histórico possível – da história que nos chegou pelos livros – e a nova tendência do turismo são por isso um importante veículo “para poder afirmar aquilo que queremos em termos de afirmação cultural, social e económica. Tudo isto dinamiza e tem impacto na vida de uma comunidade”, considerou ainda o edil arcuense.

0 comentários