«A ALDEIA SOLITÁRIA» curta metragem rodada em Soajo estreia a 11

«Uma casa na floresta, o mundo a abrir-se como uma flor ou promessa…» é assim que começa a narrativa de apresentação do filme «A Aldeia Solitária», uma curta metragem de Carlos Silveira, baseado no livro «O Manual de Ramil» da autoria de Manuel Rodas. Estreia exactamente onde decorreram as filmagens, na vila de Soajo,  na sua Casa do Povo, às 21 horas do próximo dia 11.

Com duas partes distintas, embora sobre a mesma realidade, o filme retrata-nos primeiro uma colectânea das vivências de infância do autor do livro, como se poderá ler no blogue «Soajo em Notícia» , procurando, a segunda, reflectir sobre a necessidade urgente em se acharem respostas à desertificação acelerada dessas aldeias da serra do Soajo, semelhantes, de resto, à imensa maioria dos povoados disseminadas por todo o interior do país.

Temática, aliás, começada a ser tratada no Jornal AVV, como poderá constatar –se aqui, em «A Natalidade e o Sexo dos Anjos».

O objecto desta curta metragem de 24 minutos pode resumir-se, recorrendo novamente às palavras da sua apresentação, como sendo «A história de um povo das montanhas que lutou sempre pela sobrevivência, as desgraças e tristezas, as cantigas e danças, a esperança e o amor.

A desertificação que o filme retrata, e que tem como razão remota o fenómeno migratório da década de 60, está bem vivo nas palavras de Manuel Rodas: «Quando um dia voltei, vi não uma, mas muitas: são as aldeias desertas. Disseram-me um dia que tinham partido para serem mais felizes, convencidos que a felicidade existia noutros lugares». 

Pronunciadas como aviso de alerta e grito abafado de angústia, deixam-se aqui as palavras do bispo emérito de São Tomé e Príncipe, D. Abílio Ribas, quando questionado no filme sobre o futuro da Várzea, lugar do Soajo, donde o bispo é natural: «É a morte — rematou desanimado —, é a morte!».

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