Melânia Gomes deslumbrou-se com Arcos de Valdevez e quer voltar para a Romaria da Peneda

Por esta altura, em 2017, o Alto Minho estava em polvorosa. O concurso 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias submeteu à votação popular a escolha das melhores aldeias nas sete categorias a concurso e o distrito de Viana do Castelo contava com três aldeias de concelhos vizinhos: Sistelo (Arcos de Valdevez), Castro Laboreiro (Melgaço) e Lindoso (Ponte da Barca) estavam na final nas respectivas categorias e todos queriam agarrar com unhas e dentes o troféu e campanha de divulgação associada ao mediatismo do concurso.
Apenas Sistelo logrou conquistar o objectivo proposto, mas toda a região alto-minhota saiu vencedora do desafio.

A actriz Melânia Gomes, com vasto currículo no teatro de revista, cinema e televisão, foi convidada para ser a madrinha da candidatura de Castro Laboreiro e foi na final do concurso, na aldeia de Piódão, que surgiu a ideia de visitar as restantes aldeias candidatas.

Melânia Gomes no Paço de Giela. Foto © DR

Um ano depois, a ideia ganhou outra forma: Visitar e conhecer de perto o Parque Nacional Peneda-Gerês, as aldeias, os pontos de interesse turístico e a vida de quem tem nesta reserva especial da natureza a sua casa do dia-a-dia.
A proximidade que tinha, pela vivência da infância e juventude em Viana do Castelo e posteriormente pelas telenovelas “Deixa que Te Leve” (gravada em Arcos de Valdevez) e mais recentemente “A Herdeira” (em Viana do Castelo) tornaram o desafio proposto por quatro das empresas de animação turística a operar nos concelhos abrangidos pelo PNPG um estímulo suplementar ao propósito já manifestado por Melânia Gomes.

Desta forma, a empresa arcuense Nature4, a par de outras da região, nomeadamente a Montes de Laboreiro, Equidesafios e Naturbarroso, apoiaram e guiaram a viagem da actriz pelo Minho profundo durante 11 dias, entre 24 de Julho e 3 de Agosto.

Conhecer o PNPG com a missão de a cada dia fazer uma actividade diferente num lugar diferente – “porque o Parque não é só o Gerês” – era a proposta dos promotores desta descoberta que a actriz também ansiava. “Se eu não sabia a dimensão que o Parque tinha, então mais gente poderia não saber. Aceitei o desafio de conhecer, do ponto de vista de quem trabalha e vive aqui”, notou.
“Gostei de visitar as Portas todas [5, uma em cada um dos municípios integrantes] do Parque de cada município porque conseguimos uma informação mais completa daquilo que estamos a ver. Se não tivesse passado pela Porta da albufeira de Vilarinho das Furnas não teria sabido que havia uma aldeia submersa”, exemplificou.

Melânia Gomes. Foto © Jornal AVV / João Martinho

No território arcuense, a visita guiada pela Nature4 levou Melânia Gomes até à porta do Mezio, onde a animação e actividades vocacionadas para as crianças encantaram a actriz. “Gostei da porta do Mezio. Achei muito engraçado aquele espaço, cheio de crianças e pelo facto de ter uma data de jogos alusivos ao antigamente, para manter essa memória viva. A mini-aldeia, os animais representados, o miradouro, os jogos tradicionais, fazer actividades no rio…” destacou.

Até a chuva, que se fez sentir durante parte deste período de viagem antes da vaga de calor dos últimos dias, contribuiu para reforçar o encantamento da actriz pelas ‘tropicalidades’ minhotas. “Adorei ter apanhado chuva, porque o facto de estar neste ambiente e de ter essa experiencia é bonito. Foi bonito fazer uma viagem e num dia apanhar as quatro estações do ano. O fascínio pelo Verão e pelo calor é sobrevalorizado. A paisagem em si vale por estas diferenças. Tem que haver chuva e este clima, senão não haveria esta diversidade de espécies algumas em vias de extinção, mas que estão ainda aqui graças a isto”.

Melânia Gomes em Sistelo. Foto © DR

Ainda sobre o misticismo da paisagem arcuense, alguns dias envolta em neblina e num cenário “muito romântico” propício ao regresso de D. Sebastião: “Gostei de estar no miradouro da Estrica [Sistelo], da vista que tem para os socalcos”. À mesa, destacou um dos produtos nobres do concelho: “Adorei a carne da Cachena”, notou ainda.

É nas redes sociais, onde serão partilhadas as fotografias e vídeos desta viagem, que Melânia Gomes conta uma história alternativa acerca do pelourinho de Soajo, brincando com alguns factos, actualizando-os para os temas de hoje e com os quais os jovens se identificam. “Fiz uma história muito engraçada, que depois vou publicar, sobre como é que apareceu o primeiro emoji [ideograma] em Portugal e como é que o Rei acabou com o bullying que os fidalgos faziam às pessoas da aldeia”.

Esta e outras passagens desta viagem podem ser vistas nas páginas Facebook e Instagram de Melânia Gomes – pelo que é aconselhável segui-la nestas redes para ir acompanhando as descobertas que a actriz vai fazendo – mas admite que há matéria para fazer algo mais com toda a recolha de imagem e vídeo realizada ao longo destes dias. “Tenho um material tão rico que não sei onde pode parar, não sei o que vai acontecer. Surgiu de forma espontânea, graças a estas pessoas que me acolheram e que me guiaram, mas gostava que chegasse a um maior número de pessoas, sim”, considerou.
Em jeito de despedida, fica também a promessa de um regresso: “Se calhar, se Deus quiser ainda venho às festas da Romaria Senhora da Peneda. Vamos ver se consigo, gostava muito”.

PNPG: Há espécies e vidros que comprometem a beleza natural

Não há bela sem senão e esta visita atenta de Melânia Gomes ao municípios alto-minhotos do PNPG não poderia passar sem algumas chamadas de atenção para alguns aspectos que não abonam a favor do parque nem do turismo de natureza que as últimas campanhas querem promover.

“Em tudo há sempre uma percentagem de coisas boas e de coisas más. As coisas boas marcam-me sempre mais do que as más, mas há que falar delas, porque as pessoas não podem continuar a assumir que a natureza está ao nosso serviço e que isto é tudo nosso. Até pode ser tudo nosso, mas com respeito pelos espaços. O parque nacional é nosso e é único, mas vi muitas garrafas de vidro, perigoso porque pode espoletar incêndios. Vi também vegetação não muito adequada. Grande parte da missão de reflorestar, deve ser feita com árvores nativas, para proteger a biodiversidade e a protecção contra os incêndios, e não são agressivas para o solo”.
O lixo ou o excesso de mimosas e eucaliptos foram algumas das preocupações de Melânia Gomes, que alerta para a necessidade de plantar autóctones, mas também a falta de algumas estruturas de apoio, como é exemplo as casas-de-banho. “Se queremos que as pessoas visitem o Parque Nacional, também temos de lhes dar algumas comodidades e um apoio consciente. Dar apoio para manter as coisas controladas, com higiene”, aconselhou.

 

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