O calvário dos taxistas nas Festas do Concelho

Dora Brandão, a vereadora eleita pelo PS à Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, fez saber ontem na sua página do facebook, que após queixas que lhe foram colocadas por vários taxistas sobre a deslocação do seu habitual local de estacionamento durante o período das Festas do Concelho, informou ter questionado já o executivo no sentido de se inteirar de eventual plano de resposta destinada a ultrapassar esta incómoda situação. Teria obtido como réplica, revela a vereadora, «estar tudo já resolvido».

Tanto quanto se adivinha, quer por esta informação de Dora Brandão, quer de outras por nós obtidas posteriormente, cenário idêntico vem-se repetindo ano após ano, sem que a Câmara Municipal o consiga resolver a contento dos industriais de táxis afectados por esta medida. Que consiste, repete-se, em retirar, durante o período das festas concelhias, os taxistas do seu local habitual de estacionamento no Campo do Trasladário, sem que haja uma alternativa equivalente onde possam exercer a sua actividade.

E este «estar tudo resolvido» que foi obtido pela vereadora junto dos serviços da Câmara, e tanto quanto se sabe por aquilo que Carlos Alberto Rocha, taxista e delegado concelhio da ANTRAL—Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros, deu conta em comentário no próprio mural de Dora Brandão, resultou da ameaça dos taxistas em bloquearem as ruas da vila, até que a situação fosse resolvida a contento.

Do rosário de queixas que Carlos Rocha desfia, poderá inferir-se não acreditar este taxista que os problemas que estão em cima da mesa venham a ser resolvidos. Diz ele: «Há vários anos que tentámos o diálogo mas tem sido em vão. Pois para além de nos parecer que somos uma pedra no sapato, achamos que por má vontade do executivo, particularmente dos vereadores responsáveis»…«que os mesmos são limitados em matéria de organização e regulamentação do trânsito». 

Neste esclarecedor desabafo, o delegado da ANTRAL, deixa clara a sua posição relativamente aos serviços respectivos da Câmara Municipal: «para além do “eu quero, posso e mando”, como nos habituaram, haveria necessidade de optarem pela melhor maneira de criarem condições de melhor servir a população — o público em geral —, de forma a haver um mais fácil acesso ao público, dado sermos os únicos em serviço nocturno. Ora como essas condições não nos são dadas, isso reflecte-se, necessariamente, no prejuízo das populações que queremos servir».

«Depois das 14h00», referiu a determinado passo Carlos Rocha, naquele seu comentário sobre a mudança de local de estacionamento, «temos que percorrer cerca de 2km para ter acesso à única praça de táxis na rua Soares Pereira», como dando a entender ser esse um facto resultante do complicado ordenamento viário de que a vila padece desde os executivos de Francisco Rodrigues. 

Uma das mais flagrantes incongruências do Regulamento Municipal, aponta ainda o delegado da ANTRAL, resulta também da circunstância de haver 45 táxis no concelho para apenas 6 lugares disponíveis!».

Pela importância de que se reveste a questão, pela falta de resposta aos problemas concretos que os taxistas do concelho são obrigados a enfrentar no seu dia-a-dia, pensamos voltar em breve ao assunto.

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