Bombeiros arcuenses querem Marcelo na inauguração do novo quartel em 2019

Obras de ampliação e remodelação orçamentadas em mais de 800 mil euros

Quando, em meados da década de 80, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez inaugurou o seu novo quartel, havia a certeza de que esta obra “de vanguarda” se afirmaria na sociedade arcuense como um verdadeiro espaço cultural de referência. Afinal era nos salões de bombeiros que se realizavam os grandes eventos, a par daquilo que representará hoje para o concelho o auditório da Casa das Artes.

Germano Amorim, presidente da Direcção dos Bombeiros arcuenses, recorda o papel social que a sala de espectáculos dos bombeiros tinha noutros tempos.
“Lembro-me de que, quando era miúdo, se acolhia ali a dança, o jazz, as danças contemporâneas e outros espectáculos. A sala dos espelhos era vocacionada para esse tipo de actividades. Havia ainda uma sala preparada para receber palestras, porque não havia o auditório da EPRALIMA nem o da Casa das Artes. Quando surgiu, em 85, era uma obra de vanguarda social para a época”, sublinha.

33 anos depois, a obra com preocupações sociais que terá preterido a funcionalidade enquanto quartel para assumir a centralidade enquanto dinamizador cultural tornou-se “obsoleta e disfuncional”. Os principais eventos já não passam por aqui e a operacionalidade da corporação exige outro tipo de utilidade para o aquartelamento. Quando a segunda fase de intervenção estiver concluída, até a parte destinada ao contacto com o público se tornará mais funcional.

O projecto de ampliação, orçamentado em cerca de 524 mil euros, foi apoiado em 95% pelo POSEUR e 5% pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. A segunda fase, que compreende a remodelação e equipamento de toda a estrutura, em consonância com as modernizações implementadas, custará à corporação de Bombeiros arcuense mais 300 mil euros, somando assim um total superior a 800 mil euros, finda a intervenção no aquartelamento.

O projecto de ampliação, orçamentado em cerca de 524 mil euros, foi apoiado em 95% pelo POSEUR e 5% pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. Foto © Jornal AVV / João Martinho

Mas as intervenções, assegura Germano Amorim, irão notar-se. “Com o novo projecto, a Secretaria vai passar para o do rés-do-chão. Esteve no segundo andar, passou para o primeiro e agora finalmente vai para onde deve estar, para proporcionar mais comodidade ao utente e associado dos bombeiros”, explicou o presidente da Direcção.

Nos “pequenos detalhes que fazem toda a diferença” estão previstas alterações às entradas dos bombeiros e de entrada para o serviço de cafetaria e secretaria, abertos ao público.

“A importância dos bombeiros também foi crescendo ao longo dos últimos trinta anos. As funções são cada vez maiores, há mais responsabilidade na área do transporte de doentes, tanto em emergência médica como de doentes não urgentes, portanto as nossas matérias foram ampliadas”, observou Germano Amorim.

No entanto, apesar modernização em termos de comodidade e humanização que o atelier de arquitectura de Pedro Barros Pinto desenhou para a ampliação do aquartelamento, correspondendo à “eficiência energética e funcioinalidade” pretendida, Germano Amorim diz que há “condicionalismos” que só uma nova localização desta unidade poderia resolver.

“A minha vontade inicial era tentar tirar este espaço de quartel da malha urbana arcuense. Poderíamos, talvez de forma mais eficiente e barata, ter um espaço mais adequado à nossa realidade, com maior amplitude e com menores constrangimentos de espaço; mas também dar proveito económico a esta zona. Manteríamos aqui algum tipo de serviço relacionado com os bombeiros, mas permitir-nos-ia fazer arrendamento comercial – como superfície comercial, por exemplo – que daria desafogo financeiro mensal à instituição, em termos de tesouraria seria extraordinário”.

O propósito, no entanto, ficou pelas intenções face aos critérios de financiamento que os Fundos Comunitários propunham para libertar a verba. “A candidatura, que foi feita com o apoio da autarquia, apenas libertava verbas para estruturas já existentes, ou seja, só havia fundos comunitários para ampliações de edifícios já existentes”, explica o presidente da Direcção.

Das “salas salinhas e saletas, desadequadas da realidade actual”, renasce agora – em fases – um novo quartel dos bombeiros, mas esta “humanização do espaço” não foi consensual entre a população que passa na Rotunda da Amizade e diz não perceber o “arrojo” da estrutura, como revela Germano Amorim.

“Há pessoas que tem criticado o lado estético da obra com a parca funcionalidade, mas só quem entra lá sabe a dimensão da obra que está feita. Quem está de fora não tem noção, porque o impacto exterior da obra é pouco. Do ponto de vista arquitectónico, para mim teve um enquadramento extraordinário e isso deve-se muito ao mérito do arquitecto responsável pela obra, porque conseguiu ‘meter o Rossio na Betesga’. Conseguimos dobrar a capacidade de edificação do espaço, deitando abaixo a torre da sirene – que era para exercícios mas que ninguém usava e estava a cair – e a partir dessa zona conseguimos, não só fazer um edifício novo, como desafogar todo aquele espaço, que no futuro permitirá a ligação com a Rua Soares Pereira e a Avenida Mário Soares, para o lado do rio”.

Os apoios institucionais e a comunidade

“Temos muitíssimo poucos apoios do Estado para o desenvolvimento das nossas funções e da nossa actividade, portanto entendemos que temos de criar algo que atraia as pessoas a querer estar nos bombeiros e a quererem ser bombeiros. Para isso, nada melhor do que criar condições também do ponto de vista estético e de comodidade para que as pessoas lá estejam”.

Ao passo dado no conforto das instalações para a corporação que participa activamente nas várias missões de salvamento, resgate ou socorro, a Direcção dos Bombeiros assume que a comunidade arcuense tem colaborado para que a sustentabilidade da corporação e da modernização de equipamentos seja possível, salvo algumas excepções. “A solidariedade do povo arcuense tem sido magnífica. A título de exemplo, à excepção da Freguesia de Soajo e do Couto, que ainda não nos deram resposta, todas as freguesias nos deram o seu apoio”.

Sobre as autarquias locais que não apoiaram, Germano Amorim diz que “haverá oportunidade para se perceber e esclarecer junto das pessoas, se assim entenderem” e destacou o apoio dado por particulares e associações destas duas freguesias silenciosas.
“A Associação Cultural e Desportiva Unidos do Couto tem sido extraordinária connosco, assim como a esmagadora maioria das pessoas, mas há quem não queira e tem liberdade para não querer. Nós somos a única entidade que tem de acudir qualquer pessoa, nem que seja o nosso maior inimigo”, sublinhou o presidente da Direcção.

Filipe Guimarães, Comandante da corporação arcuense. Foto © Jornal AVV / João Martinho

Por sua vez, o Comandante da corporação arcuense, Filipe Guimarães, reconhece a “mais-valia” e impacto desta ampliação na vida da corporação.
A meio desta fase de adaptação, que sacrifica a equipa directiva, já que “neste momento a Direcção não tem gabinete”, Filipe Guimarães destaca algumas conquistas do projecto. “Temos uma camarata masculina e uma feminina, que não existia no passado”.

“Nesta fase há espaços adaptados a outras funções até estarem concluídas as obras, o que nos cria alguns condicionalismos, mas mesmo assim, em termos operacionais, a corporação está mais motivada. A Sala do Bombeiro ainda está com o mobiliário da parte velha, mas as condições e a motivação do pessoal é outra. Aqui, está a casa sempre cheia de gente. No sítio onde estávamos [provisoriamente] não tínhamos nada apelativo que fixasse o voluntário ao corpo de bombeiros”, reconhece o Comandante dos Bombeiros de Arcos de Valdevez.

Com o início da segunda fase de intervenção prestes a iniciar, apenas pendente de licença da autarquia, o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros arcuenses, Germano Amorim, perspectiva para meados do próximo ano a finalização das obras, que culminarão com uma inauguração que se pretende não passar indiferente, chamando a atenção para a realidade das associações humanitárias.

“Neste momento, aquilo com que queremos comprometer-nos publicamente é termos cá, no próximo Dia do Concelho [11 de Julho] ou dia próximo desse, o Presidente da República, professor Marcelo Rebelo de Sousa, para inaugurar o quartel. Gostaríamos que fosse destacado como obra de referência e como ponto de partida para uma maior atenção e preocupação com a vida das associações humanitárias”.

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