“O ser humano é um tema que me interessa bastante”

António Aguiar (Taroza) é um dos importantes agentes da continuidade artística de Arcos de Valdevez. O concelho soma a cada dia novos artistas, performances e expressões de arte e Taroza, nome com que assina as criações, está na linha da frente, em simbiose com as novas escolas, para um novo público.

Coordenador da “D’Art Vez – a bienal de artes que na sua última edição contou a participação de cerca de 90 artistas – António Aguiar tem também um referenciável trabalho desenvolvido com as crianças e jovens do concelho, que ensina no seu atelier, mas também no âmbito da OCA – Oficina Casa das Artes.
É desta Oficina artística, uma aposta da Casa das Artes, promovida pelo seu director, Nuno Soares, que tem saído algumas das novas experiências de António Aguiar com a comunidade escolar, nomeadamente a pintura em azulejo. “Tem sido um trabalho que ao longo de mais de duas décadas tem vindo a proporcionar às crianças fazer trabalhos que na escola não podem realizar por vários motivos, por exemplo os de azulejos, porque nas escolas não há num forno que coza a mil graus”, explicou o artista.

A atestar algumas destas experiências estão alguns painéis e um pelourinho, com azulejo pintado pelas crianças, no Jardim dos Centenários. “A pintura é uma arte muito importante para o desenvolvimento das crianças, jovens, adultos e até idosos”, frisou António Aguiar, e diz que esta expressão livre através das tintas é também “acarinhado” pelo autarca arcuense, João Manuel Esteves, “que sempre quis levar a arte às escolas e aos infantários”. Uma comunhão de entendimentos que tem merecido o entusiasmo dos participantes.

O atelier de pintura Queiroza, assim designado pela vontade de António Aguiar em homenagear o seu pai, José Queiroz de Barros Aguiar (Queiroza), conhecido artista arcuense, falecido em 1997, que já tinha a ideia de “abrir um atelier à comunidade onde todos pudessem experimentar a pintura”, renova-se na sua envolvência e dá à Rua Dr. Teixeira de Queiroz a essência artística que o concelho começa a solicitar.

Edifício onde funciona o atelier de pintura Queiroza e o Conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez (CMDAV). Foto © Jornal AVV / Artur Azevedo

O espaço, que está aberto à comunidade e a funcionar como galeria, constitui parte de todo um edifício onde a arte acontece de várias formas. O Conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez (CMDAV), a funcionar naquele edifício, junta outras aprendizagens, jovens talentos e consequentemente mais dinâmica à margem esquerda do Vez, que também tem muito para mostrar.

Pela arte que lhe compete, António Aguiar pretende continuar com a pintura e dar ferramentas que fomentem a criatividade de crianças e adultos. Apesar da “dificuldade” que é viver da arte que ensina, é inabalável desta vizinhança com o rio Vez: “Estou na minha terra, onde tenho as minhas raízes e amigos”.

O ser humano numa obra “sem título”

O jornal AVV lançou o desafio a António Aguiar (Taroza) para que expressasse algo que pudesse ilustrar o editorial do mês de Agosto e o artista foi à “profundidade” humana buscar significados para a tela. A obra (um óleo sobre tela, de 1mx1,30m), apesar de silenciosa, reflexiva, “tem a ver com a comunicação”.

António Aguiar junto à obra criada para o editorial nº 2 do Jornal AVV. Foto © Jornal AVV / Artur Azevedo

“É sobre o ser humano na sua profundidade, um tema que me interessa bastante. Vemos um ser humano na profundidade do meio aquático, onde podemos ser verdadeiros. O que está acima da linha de água é o exterior, aquilo que nós vemos e aquilo que nós somos quando não estamos na nossa profundidade, quando não somos simplesmente nós”, teorizou António Aguiar, sem querer impor observações. “Não é uma interpretação rígida, pode ser intuitiva, livre. Por isso é que é sempre complicado um artista falar sobre o seu trabalho”.

A pintura “gestualista” e de equilíbrio de cores, da água e do céu, é para já uma materialização de arte que muito nos orgulha, pela resposta que Taroza deu à nossa simples proposta. E se surpresas houver, voltaremos a este tema. Prometemos.

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