Número 2

Ninguém estava à espera, mas assim sem aviso nem guizo, damos forma a mais um editorial. E talvez fosse pertinente perguntar como está a sua vontade de ler, porque o mês de Agosto tem o condão de nos deixar especialmente focados no convívio e na presença do maior número de eventos festivos.

Mas, no rescaldo das festas concelhias de Arcos de Valdevez, em honra de nossa Senhora da Lapa, ainda vamos apelar às memórias, frescas, mas que certamente quer guardar com entusiasmo por muito tempo. Queremos mostrar-lhe as melhores imagens desta quinzena de Agosto, e vai valer a pena.

Como é o mês da animação e da música, queremos dar-lhe mais. Ou pelo menos, dizer-lhe onde se constroem as bases para se fazer boa música. O conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez mudou de instalações – da antiga Escola Primária da vila para o edifício do atelier Queiroza – e o Jornal AVV esteve lá para documentar uma sessão que contou com bastante afluência de público e até com música. Saiba o que se pode esperar desta escola, devidamente preparada para receber alunos que prefiram cumprir as aulas de música estipuladas pelo programa do Ensino Público nesta instituição.

E já que falamos de arte, reforçamos a importância da participação de António Aguiar (Taroza), o artista coordenador da bienal “D’Art Vez, na criação da imagem que encabeça este editorial. O desafio era livre, então a arte de Taroza foi à profundidade humana buscar significados. Merece certamente a sua atenção, e se perder um mínimo de 30 segundos a admirar a tela (neste caso, uma fotografia), verá que há algo nas cores, no tom ou na forma de expressão que nos faz ficar com vontade de contemplar.

Por outro lado, da corporação de Bombeiros de Arcos de Valdevez chegam-nos ecos de projectos e renovações, mas também algumas preocupações.
Germano Amorim, presidente da Direcção dos Bombeiros, diz-nos que são necessários mais de 800 mil euros para completar toda a intervenção desenhada para o quartel. Deste investimento, grande parte foi assumido por um programa de apoios de fundo comunitário e o restante pela Câmara Municipal, mas ainda são necessários 300 mil euros para terminar as duas fases previstas. Saiba porquê e de que forma poderá a corporação enfrentar este orçamento

Por outro lado, o comandante dos Bombeiros, Filipe Guimarães, diz-nos que o efectivo que tem é pouco para a realidade do concelho, onde a mancha florestal “está praticamente ao abandono” em termos de políticas florestais de prevenção.
Nos urbanos, então, reconhece a incapacidade do corpo de Bombeiros em lidar com uma ocorrência de incêndio em área industrial, por falta de meios. A questão que convém esclarecer é: As unidades industriais instaladas nos parques do concelho, sobretudo as que trabalhem com químicos e materiais perigosos, têm plano de evacuação? A ela voltaremos, se conseguirmos acrescentar mais do que dúvidas.

O tempo de festa, com as contingências necessárias para que o programa se realize, também pode significar contratempos para alguns. José Domingos Costa dá-nos conta do Calvário dos taxistas nas festas do concelho, tendo por base as queixas de vários taxistas sobre a deslocação do seu habitual local de estacionamento do Campo do Trasladário, durante o período das festas do concelho, sem que haja uma alternativa equivalente onde possam exercer a sua actividade.

A Cooperativa Agrícola de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca foi distinguida com o prémio PME LIDER 2017 e com Medalha de Ouro para a Carne de Cachena da Peneda DOP. O sector parece estar a renovar-se e a profissionalizar-se, o que é bom para a perpetuação da raça, mas parece-nos que a venda da carne em fresco ou a presença nos menus da restauração local e regional ainda terá de merecer o empenho dos responsáveis pelo processo. Nenhum produto, por mais exclusivo que seja, pode ser tão especial ao ponto de ser raro na restauração da região solar da raça.

A rotina, se por um lado nos normaliza a vida e nos permite planeá-la, também nos cega para aquilo que nos está mais próximo. Para quem vive ou percorre frequentemente o concelho, a rotina é passar pelo centro de Sistelo com atenção redobrada por causa das crianças que vem com esta nova vaga de visitas, saber que antes de chegar à Portela de Alvite “há ali umas curvas” onde o alcatrão está todo estalado e obriga a alguns ‘malabarismos’ ao condutor, é saber que no Inverno costumam cair pedras para a estrada e que ‘ali’ na zona do miradouro costumam estar vacas e podem meter-se a atravessar a estrada. No meio de tanta preocupação rotineira, a paisagem ficou para trás.
Por isso, as visitas com impacto mais mediático, como foi a da actriz Melânia Gomes, são essenciais para cativar novos públicos, mas também para nos alertar sobre a nossa paisagem de fundo. Porque afinal, isto não está aqui só para os turistas, ou para rentabilizar já. Isto é paisagem, convém que nós, os locais, disfrutemos dela também. A nossa campanha tem de ser genuína, e não apenas com a empolgação de quem vende água filtrada.

E já que falamos de paisagem, é importante realçar o trabalho de quem a conhece como poucos. Alberto Silva trocou o Porto por Arcos de Valdevez, já lá vão umas décadas, e tem guardado imagens merecedoras de destaque.
Enquanto director do jornal Notícias Arcoenses e da Rádio Valdevez, Alberto Silva fotografou as festas, os festivais, o desporto, a paisagem e as personalidades que marcam a vida social arcuense e é parte desses momentos que pode ver (ou rever) até 30 de Setembro, na Casa das Artes.
Um reconhecimento naturalmente merecido, por isso deixamos a sugestão da visita e, ao Alberto Silva, as rápidas melhoras.

Nesta súmula daquilo que pode encontrar no site do Jornal AVV queremos destacar um tema que José Domingos Costa nos trouxe: A mudança de gestão e de nome do histórico Hotel Ribeira, agora Ribeira Collection Hotel. Uma iniciativa empresarial sobre a qual há especial atenção, dada a importância daquele hotel… E excelente localização, mas isso é inegável.

Last but not least, saudamos a colaboração do engenheiro Vítor Correia, que reforçará mensalmente a secção de opinião, mas também a especial pertinência do tema escolhido para a primeira publicação: “Que floresta queremos para a próxima década?” é a questão que titula a sua interpretação e sob a qual analisa os comportamentos actuais.
É uma pergunta que todos queríamos ver já respondida, mas o terreno ainda não nos dá pistas.

São apenas algumas sugestões de leitura, mas estamos certos de que encontrará aqui outros temas de interesse. Agora vamos deixá-lo fazer essa descoberta.

Boas férias (se for o caso)!

 

António Aguiar junto à obra criada para o editorial nº 2 do Jornal AVV. Foto © Jornal AVV / Artur Azevedo

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