Quando cai o pano da ficção e fica o peso da realidade

Perguntava numa das minhas crónicas se estaria tudo bem neste cantinho à beira mar plantado ou, se pelo contrário, o rei ia nu… hoje, em fim de sessão legislativa e a caminho de férias, para grande parte dos portugueses, decidi voltar a este assunto. Tal decisão deve-se ao facto de, aquele descontentamento, que na altura referia ser quase envergonhado, começa inexoravelmente a entrar-nos pela casa dentro de supetão, provavelmente para surpresa de muitos… ou talvez não.

Vemos os professores em greve porque afinal não vão ter reconhecido o prometido tempo de serviço.

Vemos problemas com o serviço nacional de saúde que, é raro o dia em que não nos chegam notícias de problemas, que vão desde a falta de material, a falta de pessoal, o encerramento de camas em várias unidades de saúde.

Descobrimos que afinal o material furtado de Tancos, ao contrário do que nos foi veiculado pelo governo, não apareceu todo podendo o que ainda está desaparecido por em causa a segurança nacional.

Descobrimos que afinal os dinheiros para a reconstrução de casas em Pedrogão Grande estão a ser utilizados indevidamente,

Descobrimos que a divida portuguesa bate novos recordes, estando no valore mais alto de sempre…

E, para espanto de muitos, vemos o Ministro Mário Centeno e o Primeiro Ministro dizerem que não se pode dar tudo a todos, que não há dinheiro, que é necessário manter o rigor orçamental….

Ora todas estas situações que, pouco a pouco, nos vão entrando em catadupa nas nossas casa, parecem um non sense se tivermos em conta que o actual governo se fartou de anunciar o fim da austeridade…

Mas o que é tão ou mais espantoso é o facto dos partidos de extrema esquerda, excepto por uma ou outra mal disfarçada encenação de protesto, nada fazem e mantém os seus profissionais do protesto e as suas redes de “utentes” silenciosos como nunca estiveram no passado, uma vez que estão todos comprometidos na geringonça. Aquilo que vamos sabendo é mesmo o que não se consegue abafar — é o retrato do desespero de profissionais, não protestos rituais dos sindicatos.

Afinal em que ficamos? Acabou a austeridade ou apenas começamos a assistir ao cair do pano duma encenação, que dura há quase três anos, e começamos a assistir ao peso da realidade??? Para mim, sem dúvida, é a segunda hipótese e para vocês???

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