“Dei o terreno a S. Bento do Cando por boa-fé e transformaram-no numa lixeira”

Quando, há cerca de três anos, Manuel Cerdeira Beites cedeu 580 metros quadrados de um terreno seu à entidade gestora do património de São Bento do Cando da Gavieira (Arcos de Valdevez), jamais pensou que ainda iria ter um desgosto com esta boa acção.

Volvidos três anos, o residente benfeitor diz-se “chocado” com a “lixeira” em que o terreno foi transformado. “A minha ideia quando dei o terreno à capela era que eles fizessem daquilo um espaço para usar nos dias de festa, ou noutros dias, mas foi feito o contrário, até ao dia de hoje é um lixeira”, contou ao AVV.
“Esteve pelo menos um ano sem que lhe dessem uso, ainda em pasto para os animais. Depois foi-se tornando numa lixeira de restos de obras”, acrescentou ainda Manuel Cerdeira Beites.

Foto © DR

A ocupação do terreno com estes detritos terá começado no decurso das obras que estavam a ser realizadas no recinto da capela de São Bento do Cando, no entanto, finalizadas as obras, o entulho continua a ocupar aquele espaço, num contexto que o doador diz ser uma má imagem para a localidade de interesse turístico. “Toda a gente acha que aquilo dá uma má imagem ao santuário e à terra, mesmo para quem visita e vem ver a serra, do outro lado”.

O ex-proprietário do terreno diz não conhecer que ideia de aproveitamento possa estar planeada para aquele espaço, mas espera que o seu acto de boa fé mereça melhor aproveitamento em prol da capela de S. Bento. Afinal, para efeito de depósito de entulho, Manuel Beites diz que “há outros sítios mais abaixo para meter a lixeira”.

O próprio desconhece se há naquela freguesia um depósito (reconhecido pela Junta de Freguesia e Câmara Municipal) para descarga deste tipo de sobrantes de construção civil, mas considera que aquele terreno, pelo enquadramento paisagístico e integração na zona urbana do lugar, não será o local a ter em conta. “Não sei o que é que a Junta pode fazer em relação a isto, porque o lixo está ali espalhado num terreno, mas como agora lhes pertence, não sei se lhes é permitido ou não”, observou.

Recomendado:

0 comentários