Moradores de Padreiro Santa Cristina pedem anulação do projecto de aviário para 30 000 galinhas

Contestatários alertam para o “alto risco sanitário” da produção intensiva de frangos

Um grupo de moradores de Padreiro Santa Cristina pede a “anulação” do projecto que prevê a instalação de um aviário em terreno baldio daquela freguesia. Os contestatários alegam o “alto risco sanitário” que esta produção intensiva, na ordem das 30 000 aves, poderá implicar na saúde pública e para as linhas de água com nascente naquele monte.

A 400 metros de habitações de Padreiro Santa Cristina e a 200 metros de habitações da Freguesia de Miranda.

O grupo contestatário endereçou uma carta à Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, assim como uma petição assinada por mais de meia centena de residentes, pedindo a anulação da deliberação da Junta de Freguesia de Padreiro Santa Cristina, cuja votação foi realizada no dia 22 de Julho último, considerando que “não estavam reunidas as condições necessárias para uma decisão e deliberação informada”.

A proximidade de habitações é, segundo a comunicação do grupo, a principal razão para a contestação, considerando que o projecto não cumpre as distâncias legais, quer em relação às povoações, quer entre barracões. Estes residentes indicam que a distância a considerar entre unidades teria de ser no mínimo de 200 metros, segundo guias de instalação internacionais para este tipo de produção.
Os dez metros de área circundante à unidade produtiva, como notam em exemplo, são “insuficientes” para isolar os barracões de contaminações e desinfecções.

O grupo de residentes nota ainda que este aviário ficará próximo de povoações – a 400 metros de habitações de Padreiro Santa Cristina e a 200 metros de habitações da Freguesia de Miranda – nas quais poderá ter impacto negativo. A título de exemplo, referem um aviário instalado em Óbidos, que tem sido apontado como principal causa de uma praga de moscas que assola a localidade há vários anos e que tem afectado negativamente a imagem do turismo local.

Na missiva endereçada à autarquia, o grupo de residentes indica que “nenhuma informação escrita relativa ao projecto foi comunicada aos residentes antes e durante a sessão extraordinária de votos e deliberação”, notando que “os residentes da Freguesia de Padreiro Salvador não foram consultados”, mesmo sendo parte desta União de freguesias. Além destas, os contestatários indicam ainda que “os residentes mais afectados se encontram na Freguesia de Miranda e também não foram consultados”.

“A localização fica no extremo noroeste, a 200 metros da freguesia da Miranda. Considerando o impacto visual e ambiental de tal infra-estrutura, estimamos que os residentes da Miranda directamente afectados deveriam ter sido consultados”, notam.

Pelas razões que consideram válidas para a anulação da instalação da unidade produtiva, os residentes lançam três questões-chave aos técnicos e líder autárquico: “Vão aceitar um projecto cuja superfície de terreno arrendada não permite uma instalação sanitária e distâncias de segurança básicas? Vão continuar a considerar um projecto que põe este tipo de risco para a saúde da povoação? Vão continuar a aceitar um contrato que e um abuso legal e comercial dos bens públicos?”, questionam.

Juntamos imagens da documentação enviada pelo grupo de residentes ao presidente da Câmara e técnicos da autarquia, assim como da petição firmada pelos locais até ao momento desta exposição pública da contestação.

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