Número 3

Sem que lhe tivéssemos definido os moldes da sua participação, a autora da imagem que ilustra este editorial de destaques do mês de Setembro tocou num dos principais assuntos sobre o qual lançamos a reflexão.

A arcuense Sónia Rodrigues cresceu na geração digital e fascinou-se pela criação e pelo desenho que não precisa de tela nem pincéis. A jovem artista, que tem por base formativa algumas das instituições de referência na formação superior na vertente artística, nomeadamente a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e a Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos, onde estuda Motion Design, jogou com a palete de cores e texturas para dar forma a uma mão “que não está a apontar” mas sim a “sugerir o toque no mundo digital”.

Este intercâmbio “de digital para digital” é, quer queiramos quer não, o futuro de muita da informação e cultura. Poderíamos perguntar há quanto tempo não compra um filme em DVD ou mesmo um jornal, mas como são duas realidades com maturidades diferentes na forma como capitalizam a sua existência online, nem vamos fazer esse exercício.

Sónia Rodrigues ilustrou o editorial nº 3 do Jornal AVV. Foto © Jornal AVV / Artur Azevedo

Sónia Rodrigues soma já algumas exposições e trabalhos online – que pode ver em dribbble.com e em behance.net – que são telas de arte que se mexe e explora cores e volume. No fundo, é a arte ligada à tecnologia. Vamos ter de nos adaptar a ela porque afinal já estamos a quase duas décadas do século XXI e ainda não correspondemos a metade as expectativas que Stanley Kubrick colocou em ‘nós’ quando realizou o filme 2001: Odisseia no Espaço.

O seu fascínio por “estudar o individuo” e a “construção e desconstrução” da figura humana e dos objectos traduz-se na sua maioria em criações hipnóticas pelo movimento e pelo universo em que nos emerge. Vale a pena verificar como, apesar de ainda em formação, Sónia Rodrigues consegue deixar já a sua impressão digital nas ‘telas’ que cria em modulagem 3D.

Vamos à actualidade?

Depois do período de festas, voltamos a levar com a realidade, em alguns casos bastante crua. A perda de Alberto Silva, o “nosso” homem da rádio, é certamente a mais dura deste Setembro, embora ainda vá praticamente a meio e, como diz o saber popular, tudo o que está mal ainda pode piorar. Recordamos com franca emoção a entrevista ao AVV, em que ainda nos dava a todos a esperança do seu regresso. Nunca lhe faltou garra, nem projectos. Assim saibam os que darão continuidade á missão da Rádio Valdevez fazer jus ao trabalho por ele realizado ao longo das últimas décadas.

Na dinâmica empresarial:
Um grupo de moradores de Padreiro Santa Cristina pede a “anulação” do projecto que prevê a instalação de um aviário em terreno baldio da freguesia. A concretizar-se, será uma unidade de criação intensiva de aves, na ordem das 30 000 unidades. Os moradores dizem que não estão garantidas as condições sanitárias, nem a distância mínima em relação às povoações. Num caso idêntico, em Óbidos, o turismo e a povoação sofrem com uma praga de moscas que se sugere ser provocada pelo aviário local.
Parece-nos que o assunto será amplamente discutido nos próximos tempos, por isso acompanhe desde já o caso e saiba o que está em questão.

“Os bombeiros são o terceiro pilar na missão de preservar a floresta, mas são os únicos a quem se pede responsabilidades”, diz-nos Filipe Guimarães. No mesmo texto, o presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez, Germano Amorim, sugere que o Estado reconheça as associações humanitárias como parceiro na Protecção Civil, para que as corporações possam ter as mesmas vantagens que outras instituições que prestam serviços solidários têm.
Concorda com a sugestão? Seria um avanço sólido na sustentabilidade e profissionalização das corporações?

O EMER-N – Empreendedorismo em Meio Rural na Região Norte, enquanto ferramenta de orientação para jovens empresários, apoiou a criação de 212 novas empresas que geraram 282 postos de trabalho durante o período de vigência do programa, entre Setembro de 2016 e Agosto 2018.
É por isso tempo de reorganizar a casa. O que se segue ao fim do programa que orientou centenas de jovens empresários da região?
Falamos com o coordenador do projecto e presidente da In.Cubo, Francisco Araújo – Nota: por curiosidade noticiosa – que nos diz que “seria muito mau” se toda esta rede de jovens empresários ou projectos perdesse este acompanhamento. Saiba o que implicaria o fim do projecto.

A Oficina de Criatividade Himalaya será o novo espaço dedicado à ciência educativa, com várias áreas de exposição e de experimentação, baseados na vida, na filosofia e no pensamento de Manuel Himalaya, um dos maiores cientistas e visionários portugueses da viragem do século XIX.
O projecto, apresentado no final de Agosto, dá os primeiros passos na concretização, o que implica reconfigurar a antiga Escola do 1º Ciclo da vila arcuense, para a nova funcionalidade. Veja aqui o que poderemos esperar a breve trecho.

Manuel Cerdeira Beites cedeu 580 metros quadrados de um terreno seu à entidade gestora do património de São Bento do Cando, na Gavieira (Arcos de Valdevez), mas ficou desagradado com o uso que deram à parcela que cedeu de boa-fé. Volvidos três anos, o residente benfeitor diz-se “chocado” com a “lixeira” em que o terreno foi transformado. As imagens falam por si e o desagrado do próprio também.

Na opinião, destacamos o tema lançado por Emília Cerqueira, deputada à Assembleia da República e advogada arcuense. No texto intitulado [Quando cai o pano da ficção e fica o peso da realidade], termina com a questão, pare reflexão: “Acabou a austeridade ou apenas começamos a assistir ao cair do pano duma encenação, que dura há quase três anos, e começamos a assistir ao peso da realidade?”.
Na coluna de opinião encontrará este e outros temas que certamente merecerão a sua atenção.
Boas leituras!

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