Avalanche turística em Sistelo é “um caso de estudo” com “dores de crescimento” inevitáveis, diz Sérgio Rodrigues

Desde Setembro de 2017, após consagração com o título de “Maravilha de Portugal” na categoria de aldeias rurais e, ainda no mesmo ano, com o reconhecimento da paisagem humanizada de Sistelo enquanto Monumento Nacional, a freguesia do concelho de Arcos de Valdevez é hoje “um caso de estudo” no que à estratégia de promoção turística diz respeito.

A avalanche de turistas que querem ver in loco o “pequeno Tibete português” tem agradado aos promotores da campanha, com a autarquia, Junta de Freguesia e outros agentes do sector à cabeça, mas desagradado a alguns dos locais e outros contestatários de um fenómeno que terá apanhado moradores de surpresa e sem infraestruturas para lidar com a enchente.

Entretanto, em 2018, o mediatismo da campanha, as agências de turismo e alguns eventos de referência local e nacional trouxeram milhares de visitantes ao cenário da paisagem humanizada de Sistelo. O Encontro da diáspora, que nos últimos anos traz dezenas de representantes de associações e casas do concelho de Arcos de Valdevez espalhadas pelo mundo, este ano reuniu quase uma centena de convivas em Sistelo e, mais recentemente, a Sistelo Extreme Marathon® teve como meta o centro da aldeia destacada em título.

“Sistelo é quase um caso de estudo. Haverá poucos exemplos em Portugal que tivessem o crescimento e mediatismo que tivemos, em pouco tempo”, notou o presidente da Junta de Freguesia, Sérgio Rodrigues, ao AVV. Esta “adaptação em tempo record” implica investimento público e privado e público – algumas das obras entretanto já lançadas e outras em projecto foram já motivo de notícia no AVV, que pode consultar aqui – mas o autarca garante que a paisagem ex-líbris da localidade, agora com recomendação especial de protecção, não foi alterada.

Em todo o turbilhão de acontecimentos do último ano, avançou o posto de informação sobre a cultura e paisagem de Sistelo, no Centro histórico-etnográfico, e está em curso o projecto, no âmbito do programa Valorizar, que prevê a instalação de um centro interpretativo da biodiversidade do Rio Vez e de promoção dos produtos locais no palácio do Visconde de Sistelo, comummente apelidado de Castelo de Sistelo.

Pelo caminho, assegura o autarca de Sistelo, virá a renovação de aldeias, o prolongamento da ecovia, de moinhos e espigueiros. Mas a mudança, considera, nem sempre é consensual.

“Há quem reaja mal, mas o balanço é positivo. Logicamente, vir para Sistelo intervir na vida de pessoas que estavam há 70 anos a viver de uma forma causa sempre impacto, mas o mais importante é que não se prejudique estas pessoas, que não se invada a sua vida privada”, sublinhou Sérgio Rodrigues, perspectivando um futuro para a freguesia que só daqui a uns anos poderá ser devidamente reconhecido.

“Espero que daqui a uma década ou duas consigamos olhar para trás e pensar que afinal valeu a pena e que quem pensava que era uma freguesia acabada e sem futuro, olhe e veja que esta foi a aposta certa”.

Mas, e sobre o transito, o movimento constante de pessoas junto à estrada e o aparente fim da pacatez da vida dos residentes? “São as dores do crescimento, não há outra forma”, remata.

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