Número 4 – O turismo ‘das 9 às 5’ e as 5 portas do PNPG

Pois, parece que vem aí o fim definitivo do Verão. As chuvas previstas para o fim-de-semana e até a mudança de hora (no dia 28, Domingo, quando forem duas da manhã deve atrasar o relógio para a uma) são fortes sinais de que já podemos começar puxar para os cabides as roupas de Inverno. Pelo menos assim se espera porque, a parecer que não, as barragens começam a ressentir-se deste Verão fora de época.

Mas o Verão, para o Alto Minho significa turismo, gente nos centros históricos das vilas e mais recentemente, até o turismo de natureza ganhou fôlego numa região que tem estado a preparar-se para receber as novas tendências. Portugal está na moda.

Por cá – entenda-se Arcos de Valdevez e o Alto Minho em geral – continuamos em fase de adaptação que (tememos) só estará definitivamente afinada quando o destino Portugal estiver démodé. Porque o nosso ‘estado de graça’ enquanto país barato e diversificado poderá perder interesse sem que o turismo mundial realmente o descubra, mas o facto de ainda praticarmos o apoio turístico “das 9 às 5” também não nos ajuda a consolidar as propostas que tanto nos custaram a criar.

Alguém pediu um exemplo? Assim seja.

A Porta do Mezio é, enquanto parque temático e informativo sobre a vida, fauna e flora do Parque Nacional Peneda-Gerês, projecto conseguido e interessante, pelo contexto e actividade de descoberta que propõe para todas as idades.

Mas, como vimos nos últimos anos (sobretudo por ocorrências de má memória, infelizmente) o fim de Setembro não é o fim do Verão. Outubro continua a estimular milhares de turistas a visitar o Alto Minho, conhecer a sua natureza e os recantos mais pitorescos. Como dizer aos que estão no parque do Mezio que às 17 horas, ainda com o sol alto, tem de sair? Como dizer aos que querem entrar que, para lá das 17 horas, já não há como visitar parques e museus temáticos? Como explicar aos que querem entrar no parque temático da Porta do Mezio, que ainda há gente lá dentro, mesmo depois das 17 horas, mas que é uma festa privada, marcada com antecedência?

O problema aqui não é o conceito, mas a imagem que passamos aos turistas, numa das cinco principais portas de entrada do único Parque Nacional do país. Parece que prestamos um serviço desinteressado e, neste exemplo específico, com atribuição de estatuto e tratamento diferente aos turistas.

Vamos a outra história?

“Quando eu era pequena contaram me a história da Moira de Giela e ficou-me gravada na cabeça. A imagem da moira à espera, na ponte de Ázere. Sempre me senti fascinada, pela história e pelo cenário”, conta-nos Andréa Peixoto, a jovem arcuense convidada a ilustrar este editorial.

Andréa Peixoto ilustrou o editorial nº 4 do Jornal AVV.

A designer de 25 anos estudou Desenho Digital 3D na Epralima – Escola Profissional do Alto Lima, e utilizou as técnicas digitais para ilustrar o seu entendimento desta ‘estória de encanto/desencanto’ da cultura popular arcuense. “Usei cores em tons de pastel claro para dar uma sensação de suavidade e serenidade”, esclarece. Uma escolha que saudamos e mostramos agora, para que possa dar a sua opinião.

Agora, alguns destaques do mês:

Os eleitos pelo Partido Socialista à União de Freguesias de São Jorge e Ermelo dizem que o impasse instalado naquela junta desde as últimas autárquicas (as três forças candidatas elegeram o mesmo número de deputados), é motivada pela teimosia do presidente, Horácio Cerqueira. A solução passa por construir um executivo que inclua as vozes de todas as forças eleitas, diz o PS, e assim dito parece simples. Procuraremos saber se algo mais está a criar entraves a este junta, condicionada à “gestão corrente”.

Na rubrica Diáspora Associativa daremos voz às associações e grupos que representam Arcos de Valdevez fora das suas fronteiras. De Lisboa aos Estados Unidos da América, muito há para saber daqueles que, estando longe, procuram plantar um pouco das suas raízes nos países onde se encontram. E há projectos muito activos que vale a pena conhecer. Fique atento às próximas publicações nesta rubrica.

E já que o turismo norteou as primeiras linhas deste editorial, voltamos a ele: A avalanche turística em Sistelo é “um caso de estudo”, como diz o presidente da Junta, Sérgio Rodrigues, mas parece que o mediatismo da localidade não agrada a todos. O autarca diz que são as “dores de crescimento” inevitáveis, mas cumpre-nos perceber se esta campanha que trouxe uma actividade renovada à aldeia rural arcuense traz benefícios à população, no âmbito da ambicionada fixação de pessoas ligadas ao sector produtivo, ou se a receita que fica no território se deve apenas às empresas que promovem a visita e, eventualmente, a restauração local.

Carlos Pontes é um amante da natureza e do modo de vida que povoa o PNPG. Um dia, “uma história triste” levou-o a fotografar o Lobo-ibérico. Depois foi comprando equipamento melhor para captar momentos desta vida selvagem e hoje é um habitué das serras a que estas espécies chamam casa.

Por último, um alerta sem data, mas que as duas ocorrências dramáticas dos últimos dias (em Padroso e Grade) tornam ainda mais pertinente: As queimadas, mesmo em época de risco menor para o ambiente, é um procedimento que não está livre de riscos para o operador que recorre a este método de limpeza de terrenos. Mesmo uma simples queima de sobrantes não está isenta de perigos. Por isso, qualquer acção deste género deve ser acautelada e se possível, acompanhada por alguém.
Na coluna de opinião, desta vez destacamos o texto – e excelentes fotos! – de Bernardete Amorim, coordenadora da secção Biodiversidade do Vez do Jornal AVV, intitulado Lontras no Rio Vez, um privilégio que alguns não reconhecem. Acrescentaríamos mesmo, que muitos desconhecem!

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