Bastidores: entrevista com Milay Lagarto

A figura arcuense em destaque do segundo “Bastidores” é a cantora Adelaide Lagarto, mais conhecida pelo público (local e nacional) como Milay Lagarto. O país conheceu-a melhor a propósito do programa Just Duet – O Dueto Perfeito, transmitido pela SIC, mas por cá já é uma cara conhecida desde 1988, quando subiu ao palco pela primeira vez.

Promete para breve um projecto que garante ser a sua cara, mas não está com ‘paninhos quentes’ no momento de afirmar o seu entendimento do meio social nem quando critica o facto de muito dos seus conhecidos de longa data só lhe terem reconhecido o valor enquanto cantora desde que apareceu na “caixinha mágica”.
Nesta entrevista realizada pelo Coordenador da secção Música no Jornal AVV, Pedro Monteiro, conhecemos um pouco mais da artista e mulher que, para lá do mediatismo e reconhecimento na praça, também tem os seus “bastidores”.

Começaste cedo a cantar. Como foi a tua primeira experiência em palco, lembras-te?

Foi há muito tempo, já lá vão 30 anos. Foi divertido para mim, mas cansativo para os meus pais e músicos. Na altura não havia IC nem auto-estradas como agora, os meus pais iam duas ou três vezes por semana de propósito a Barcelos para eu ensaiar com a banda e a maior parte das vezes eu chegava lá, fazia birra e simplesmente não ensaiava… Tinha apenas 5 anos!
No dia do Festival [Festival Infantil de Braga] a apresentadora Olga Cardoso chamou-me e lembro- me como se fosse hoje: Estava toda penteadinha, de fita no cabelo e tinham-me proibido de começar a música de costas para o público. Na altura estava na moda, o Marco Paulo fazia muito isso. Na hora de entrar em palco, tirei a fita, despenteei-me, entrei em palco e, mal começou a música, virei me de costas (risos). Não sei se o meu atrevimento serviu de ajuda para o resultado final, mas o certo é que voltei para casa com o prémio de melhor intérprete!

E a partir dessa altura, como prosseguiu a tua relação com a música?

Passou a ser parte de mim… Cantava muito em casa, imaginava-me em grandes palcos, com grandes artistas, aqueles sonhos normais de infância… Continuei a cantar em eventos, projetos. Parei durante oito anos mas sempre com uma vontade enorme de voltar a pisar palcos, como fazia e faço atualmente.

E esse regresso fez se como?

Aconteceu numa altura em que a minha vida estava a passar uma fase conturbada e canalizei todas as minhas energias naquilo que mais me dava gozo fazer, que sempre foi cantar. Depois de ter cantado a solo ainda miúda e ter feito parte de uma banda de garagem, os Anónimos, aos 19 anos engravidei e pus a música de parte. Entretanto casei e fui mãe pela segunda vez.
Depois da separação, percebi que o que realmente me faz feliz é cantar. Comecei novamente em grupos de baile, e aproveito para agradecer desde já ao grande Carlos Rodrigues e à Isaura, que tanta força me deram numa altura muito complicada. Ensinaram-me imenso e deram-me confiança para acreditar em mim, no meu trabalho e no meu talento, que foram o início para fazer coisas que até então não passavam de sonhos.

Essa superação acabou por ser o prenúncio de uma carreira que te fez subir ao palco com grandes músicos?

Sim, nomeadamente o grande Paulo de Carvalho com quem partilhei palco por quatro vezes no ano passado, mas também com Filipe Mendes, o grande guitarrista do rock português; João Cabrita, saxofonista de projetos como Legendary Tiger Man, Cais Sodré Funk Conection e Susana Félix, entre muitos outros. Mas estes últimos foram o meu grande suporte para o álbum que lancei após o programa “Just Duet – O Dueto Perfeito”, da SIC, onde participei, e onde participaram também, Zezé Ngambi, Miguel Ferro e contou com a participação especial de Paulo de Carvalho.

Naturalmente, a participação no programa trouxe-te mais visibilidade, inclusive para o teu álbum. Como foi essa experiência?

Foi fenomenal! Um misto de sensações muito difícil de explicar. Aprendi muito, ganhei amizades muito fortes, amadureci e principalmente tive uma visão mais alargada do que é a fama, a televisão e de tudo que os media conseguem fazer. Eles têm um poder imenso e lidar com mediatismo e opinião pública não é fácil.

Na altura, que impacto teve no teu dia-a-dia, a participação no programa?

No início foi muito estranho. Passei meses dedicada ao programa e raramente saía a rua, procurava passar o máximo de tempo livre com a família. O resto do tempo tinha ensaios e ficava por Lisboa, mas o primeiro contacto com o mediatismo no exterior foi mesmo no dia seguinte à final, quando saí à rua em Lisboa e as pessoas me reconheciam. Só aí tive mais noção de tudo o que me rodeava. Até então não tinha ainda percebido a dimensão do impacto pela visibilidade do que tinha feito no programa. A TV, vista pelo lado dos “bastidores” é muito diferente. E de certa forma é ingrato como te dedicas a um trabalho durante anos, mas as pessoas, mesmo aquelas que te conhecem há anos, só te dão real valor porque apareceste na “caixinha mágica”… Mas não deixa de ser engraçado.

Aqui chegada, o que se segue? Em termos de carreira, quais são os próximos passos?

Continuo a fazer espectáculos em acústico, mas estou a preparar um projeto a solo.

E o que nos podes contar, desse projecto?

Neste momento ainda não posso revelar muito. É algo que ainda está a ser estruturado e que vai começar a ser trabalhado em estúdio muito em breve. A única coisa que posso desvendar é que é algo com que realmente me identifico, como cantora e como pessoa, é muito eu…

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