Arcos de Valdevez é o retiro criativo de The Last Internationale. Em 2019 o mundo vai falar deles

Banda lança o álbum “Soul on Fire” em Fevereiro de 2019 e promete incluir Arcos de Valdevez na tournée

Encontramos os The Last Internationale em Arcos de Valdevez e fomos brincar para o parque [infantil]. Naturalmente, porque no ‘rock rebelde’ é sempre assim, mas antes falamos de coisas sérias.

O concelho arcuense é um dos retiros criativos de Delila Paz e ‘Edgey’ Pires, vocalista e guitarrista de TLI, respectivamente, onde Edgey tem origens familiares. A banda, essa é já de origem norte-americana (Nova Iorque) vai ao hard-rock, ao soul e aos blues buscar a inspiração, que nos chega já sob a forma de pérolas, trabalhadas pela voz tão versátil quanto característica de Delila Paz e pela mestria da guitarra de Edgey Pires, e é um trabalho de ‘joalharia’ que vale a pena conferir.

A Sony “não fez merda nenhuma por nós”

Mas, mais do que um retiro para criar, visitar amigos – as viagens frequentes entre Arcos de Valdevez e o Porto, onde também costumam gravar, tornaram Portugal uma das suas casas – Delila e Edgey prometem mostrar ao público arcuense o que tem andado a fazer desde “We Will Reign”, o álbum de 2014 gravado pela Epic Records que, apesar de ter por trás uma grande discográfica como a Sony, “não fez merda nenhuma” para colocar este trabalho no patamar que merecia.

2019 é por isso o ano de viragem para os TLI, a banda que começou em data incerta “a escrever e a compor em casa”, a actuar em espectáculos locais e perto de “pessoas reais” que gostam da “batida real e da guitarra real”.

Vem aí “Soul On Fire”, o segundo disco de originais gravado em estúdio, após um longo processo para se libertarem das ‘amarras’ da Sony, e garantem-nos que foi o melhor para si e para o género de música que querem compor. “Ser independente e fazer as coisas em modo DIY spirit (espírito faça-você-mesmo) é a melhor coisa a fazer no rock”, reconhece Edgey Pires. “Need Somebody”, o single libertado no início de Novembro, está afim de provar isso.

Mas porquê só agora, mais de quatro anos após “We Will Reign”? “As pessoas não têm a noção de tudo o que uma grande discográfica envolve. Nós assinamos com uma grande empresa e leva tempo a ficar livre disso, é um processo que envolve advogados, contratos, um período em que não se pode lançar o que se quer… Leva tempo a desembaraçarmo-nos de pessoas com que trabalhamos”, confessa Edgey.

“Precisávamos de tempo para nos encontrarmos de novo, saber o que queríamos, e creio que agora era o momento”, reforça Delila Paz, fechando o assunto.

E afinal, apesar de discreto no circuito comercial, “We Will Reign” não passou assim tão despercebido como se possa entender. Há faixas deste primeiro álbum um pouco pelos principais produtos audiovisuais norte-americanos.

Senão vejamos: Há “Fire” no episódio 21 da terceira temporada de “The Blacklist”; “Killing Fields” no episódio 9 da quinta temporada de “Justified” e “Life, Liberty, And the Pursuit of Indian Blood” no primeiro episódio da terceira temporada de “Banshee”, esta última, uma das mais surpreendentes séries de acção dos últimos anos.

Tudo isto, conseguido apenas pela vontade de alguns e o talento da banda, que muitos perceberam, menos a Sony, como sublinha Edgey Pires. “A sony não fez merda nenhuma, absolutamente nada, zero! Quando o álbum saiu não tivemos promotores, nem imprensa, nem campanha nas rádios… Não tivemos ninguém da Sony, nunca, que nos chamasse para fazer um show”, desabafa.
Porque? “Porque é a Sony!”, simples assim. E deixa um recado aos jovens músicos iludidos pelo universo das major labels, na ânsia de conseguir um contrato milionário e serem a próxima Demi Lovato ou o Bruno Mars (ou outros, consoante os gostos). “A quem esteja a ler esta entrevista, inclusive esta parte: Nunca esperes que alguma grande discográfica faça o que quer que seja por ti, porque não vai fazer. Dois simples músicos conseguem organizar uma tour e promover um álbum muito melhor do que a Sony Records, e vamos provar isso em 2019”.

Mas a história dos TLI reveste-se de nomes fortes do panorama musical do rock mundial, como Tom Morello (guitarrista e compositor, ex-Rage Against The Machine), que deu um apoio fundamental no crescimento da banda; Brad Wilk (baterista, também conhecido pelo seu trabalho nos RATM), e continua a chamar a si – e a estúdio – os grandes do meio, como é o caso de Joey Castillo, (ex-Queens of the Stone Age) que assimilou a essência da banda na bateria e não passa indiferente. Em 2019 perceber-se-á melhor.

Quem fizer a reserva de “Soul on Fire” através da plataforma PledgeMusic poderá já em Dezembro saber o que “reinará” – finalmente! – em 2019, mas o lançamento oficial do álbum acontecerá apenas em Fevereiro, no dia 2, em Nova Iorque, no Rough Trade.

“Será completamente diferente de “We Will reign”. É definitivamente rock, mas vai ter mais elementos soul”, começa por classificar Delila, mas talvez não seja suficiente. Talvez nem os próprios criadores saibam que rótulo colocar.

“É difícil categorizar. Neste álbum é tudo mais orgânico. É polido, mas desde a composição dos sons, instrumentos, produção… Foi uma decisão muito mais consciente e um processo muito natural. Não quisemos ser a banda típica, de colunas amplificadoras e um vocalista a gritar sem nenhuma razão especial, queríamos distanciar-nos do cliché em que o rock se tornou”, avança Edgey.

Contudo, num momento em que o rock não está no topo das tabelas, com o pop e o rap a ditar modas, onde é que as bandas rock brilham? “Na europa é muito mais popular, passa nas rádios. Na América do Sul são obcecados, o rock é muito popular lá”, notou Edgey, sem se vitimar por ser um músico rock. “Nós, os músicos rock, não devemos vitimar-nos nem culpar-nos. Nos últimos anos, tem surgido boa música, de grandes bandas rock”.

E a convivência terá de ser pacífica entre géneros, cada um continuando a tratar os seus temas. Nada vai matar o rock ou o hip-hop. O rock fala do mundo, da actualidade, “do amor ou do diabo”, o hip-hop “fala da realidade ao fundo do quarteirão” e nada poderá mudar isso.

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