Bombeiros arcuenses testaram capacidade de socorro no Dia da Unidade

“Constrangimentos” no centro histórico impossibilitam intervenção de veículos pesados nas operações de combate a incêndios

No dia em que comemorou o Dia da Unidade, a 8 de Dezembro, a corporação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez passou o dia em exercícios de operacionalidade que prometem preparar os seus elementos para as “dificuldades” de intervenção terreno.
Mais de meia centena de operacionais participou nos dois simulacros que ao longo do dia tomaram as ruas e parque de estacionamento do centro da vila arcuense.

Após formatura geral, no Quartel, as equipas realizaram a primeira intervenção simulada, tomando algumas das principais ruas do centro histórico. A “ocorrência” era um incêndio urbano que obrigou a corporação a tomar a Rua da Praça e Rua 25 de Abril de “assalto”, montando aí o teatro de operações, mas a chegada ao local não se fez sem alguns “constrangimentos”, como notou ao Jornal AVV o Comandante dos Bombeiros, Filipe Guimarães.

“É uma zona que tem alguns constrangimentos na disposição de mobiliário urbano, que tivemos a oportunidade de comprovar. Só é possível aceder com viaturas ligeiras e pela disposição de pilaretes que existem, embora alguns sejam retrácteis, mas que não estão operacionais, fomos obrigados a recorrer a acessos que normalmente não deveriam ser a primeira opção”, apontou.

A operação simulou o caso de um segundo andar tomado pelas chamas, tendo os elementos destacados que efectuar o reconhecimento do quarteirão, verificar número de habitações afectadas e mobilização de meios adequados para o local.
“Pela dificuldade de mobilidade de meios para o centro histórico, de construções contíguas e telhados contínuos, sentimos alguma preocupação em treinar as técnicas neste tipo de situações”, refere o Comandante dos bombeiros arcuenses.

O simulacro considerava um incêndio que atingira a cobertura do prédio, mas questionado sobre a preparação da corporação para socorrer eventuais residentes encurralados nos pisos superiores a partir do exterior, Filipe Guimarães assegurou que a escada existente na viatura de combate a incêndios, permitindo “arvorar até 14, 15 metros”, consegue responder às necessidades na maior parte dos edificados.

“Temos três ou quatro prédios em Arcos de Valdevez em que a escada é insuficiente. Haveria que empenhar um veículo-escada ou plataforma, que nós não temos, mas há em Ponte de Lima. Em caso de real necessidade, teríamos esse meio a cerca de 25, 30 minutos. Pode ser muito tempo se as vítimas estiverem encurraladas, mas arriscamos ao máximo para que não haja vítimas ou o impacto sobre elas seja mínimo”.

Plano de emergência para indústrias de risco: “Vamos passar ao plano B. Será o próprio corpo de bombeiros que a propor algumas medidas e envolver a Protecção Civil municipal ao máximo nisto”

Na parte de tarde, o caso simulado implicou mais elementos em acção concertada, uma vez que a ocorrência envolvia um acidente com matérias perigosas. No entanto, é quando se fala em componentes químicos que o Comandante ressalva a insuficiência de equipamento da corporação para que o combate a eventuais desastres químicos ou ocorrências daí resultantes seja eficaz.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez realizou ontem (8 de Dezembro) dois simulacros de intervenção em duas ocorrências: Incêndio urbano e acidente com matérias perigosas. No dia em que a corporação arcuense assinalava também o "Dia da Unidade", o Jornal AVV assistiu a uma das operações e falou com o Comandante dos Bombeiros, Filipe Guimarães, que destacou a operacionalidade da corporação em ambos os casos simulados. Em relação às condições e acessos… A análise não é tão abonatória. Daremos nota das preocupações do Comandante da corporação em notícia própria. O vídeo do AVV mostra alguns dos passos da operação de reconhecimento, salvamento, combate ao derrame e incêndio realizado numa das simulações, realizado no Parque da Ponte Nova.

Publicado por Jornal AVV em Domingo, 9 de Dezembro de 2018

 

“É uma preocupação que tenho desde que cheguei a Comandante, porque a realidade do concelho exige de quem tem esta responsabilidade uma atenção especial. Estamos com três pólos industriais onde temos empresas que nos provocam alguma preocupação, e é óbvio que o corpo de bombeiros não está minimamente preparado para a realidade industrial que o concelho tem”, considerou Filipe Guimarães, admitindo ter alertado o presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, “responsável máximo da Protecção Civil no concelho”, esta preocupação.

Sobre o alegado desinteresse dos responsáveis pelas industrias que representam maior perigo de acidente, o Comandante dos bombeiros arcuenses diz que vai passar “para o plano B”.
“Será o próprio corpo de bombeiros que a propor algumas medidas aos industriais e envolver a Protecção Civil municipal ao máximo nisto. Não pode ser só o Comandante dos bombeiros, sozinho, a remar contra a corrente, tem de ser mais gente. Os próprios industriais deveriam mostrar mais interesse”, reitera.

Sobre as intervenções simuladas e consequente resolução, Filipe Guimarães assegura que “os arcuenses podem estar descansados. Temos gente dedicada, com boa preparação, embora a necessidade de estudo e melhoramento seja contínua”.

“Estou orgulhoso dos bombeiros que tenho, tiveram comportamento exemplar, de postura e dedicação exemplar. Tudo o que tinha idealizado para o exercício, cumpriram na íntegra e ainda adicionaram mais realismo”.

Sobre o Dia da Unidade, que a corporação só assinala desde a tomada de posse de Filipe Guimarães enquanto Comandante, o mentor da iniciativa diz que o dia de exercícios na rua provoca adrenalina aos elementos e demonstra a “entrega aguerrida” à missão.

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