Miguel Tela canta-nos poemas de Pessoa e prepara edição Edição Especial “Do Rio…” Vez para 2019

O arcuense Miguel Fernandes mostra-nos que é possível ser bom em artes e em ciências ao mesmo tempo. Ou talvez o estereótipo já esteja datado. Divide o tempo entre o ensino de Biologia e Geologia e a música, mas é nesta segunda capacidade que coloca mais do seu talento artístico.

Tem vários projectos próprios, que compõe e produz no próprio estúdio, mas é também na mesma sala de criação que dá forma aos sonhos de outros, como é o caso dos EP’s da banda barquense Malaboos.

Em seu nome, ou melhor, vestindo a sua ‘pele’ artística de Miguel Tela, já há muito para conhecer, a saber: “Pessoas de Fernando”, “Do Rio…” e “Embriaguez” são alguns dos álbuns onde mostra as suas inspirações e música. Pode encontrar qualquer um dos álbuns mencionados (e mais alguns extras) na página Bandcamp do artista, aqui.

Imagem da capa do álbum “Embriaguez” | DR

Tem algumas actuações, marcadas para eventos ou bares em Arcos de Valdevez, por isso o melhor será seguir a página de Miguel Tela no Facebook para ir ficando a par do calendário.
No próximo ano lançará uma “Edição Especial” do álbum “Do Rio…”, e quem sabe se não conseguirá concretizar um dos seus sonhos: Gravar um álbum orquestral.

Para nos esclarecer sobre as influências de Miguel Tela e que sonoridade chega aos ouvidos mais treinados no mundo musical, temos como ‘manual de instruções’ a análise feita por Francisco Araújo, entusiasta do mundo da música em geral e do lado orgânico de todo o processo da composição à performance.

 

“(…) a mestria de misturar Jorge Palma com John Mayall, ou Fausto com Zeca Afonso”

 

A originalidade e mescla de estilos fazem com que Miguel Tela seja dos músicos mais inovadores do seu tempo. Destaca-se, ao longo da sua carreira, pela sagacidade com que sempre abordou a música, com base no desenvolvimento e estilização da rítmica tradicional portuguesa, passando por todas as correntes musicais e inovando projectos a que sempre juntou uma escrita poética e muito cuidada.
O percurso de Miguel Fernandes é único no universo musical português, a sua música é um espelho de sons e de estilos, é uma tela.

As músicas e as letras são uma reflexão sociológica, cronológica, musical e poética de lugares e sensações que sempre fizeram parte do código de composição de Miguel Fernandes.

A originalidade domina a sua ‘tela’, tendo a mestria de misturar Jorge Palma com John Mayall, George Benson com Pat Metheny, ou Fausto com Zeca Afonso. José Manuel Barata Moura pode, também, sentir-se revisitado, assim como muitos poetas, num bom gosto da construção musical, que deve ser ouvida e apreciada em todos os lugares do mundo.

Apologista da música e da cultura em português, Miguel Tela propõe-se revisitar, nestes discos e nos seus espectáculos, crónicas da terra ardente.
O artista – músico, compositor e produtor – compõe cada álbum de originais como quem conta uma história, da primeira à última canção. Dizem os seus admiradores que cada um dos seus discos devia ser escutado “de guião em punho”, como quem vai à ópera.

Francisco Araújo

 

Álbum “Embriaguez”

 

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