Número 5: Temos o melhor do Alto Minho e andamos a vendê-lo “em frascos de Tofina”

Estamos quase no Natal, por isso não queremos incomodar com textos longos, porque está tudo naquela azáfama pré-Natal que não vale a pena contrariar nem atrasar. Vamos tentar que este texto dure só o tempo de um café na “Dida” ou no “Café das Flores” (p.ex.) e resumir alguns dos assuntos que o AVV tratou nos últimos tempos.

No seu texto mensal de opinião sobre o movimento Slow-Food [se não leu, pode encontra-lo aqui] Jorge Miranda, coordenador de projectos da In.Cubo dá-nos directivas para aquele que seria o melhor método para uma vida feliz no século da produção em massa, do imediatismo e do hedonismo.
“Cabe a cada um de nós zelar pela qualidade do que comemos e do que disponibilizamos aos nosso familiares e amigos, cabe a cada um de nós tornar-se um co-produtor”, escreve Jorge Miranda, esclarecendo ainda, sobre o movimento Slow Food, que esta filosofia de produção e consumo “acredita que os alimentos estão ligados a muitos outros aspectos da vida, incluindo a cultura, a política, a agricultura e o meio ambiente”.

Assim exposto, este é o modelo de produção-consumo ideal. Mas porque é que não resulta? Porque é que quem andou no terreno considera que há desinteresse no associativismo para vender o melhor a um preço justo, e há produção insuficiente?

Que não se tome estes considerandos como causa política – para que conste, a campanha que o município arcuense tem promovido em prol da produção local deve ser reconhecida pela persistência e continuidade – mas parece-nos faltar algo que espolete o interesse dos jovens para fazer parte desta ‘máquina saudável’ e autóctone que se apregoa.

Os técnicos do projecto RevitAgri, com quem tivemos oportunidade de falar após o seu périplo pelos municípios que partilham entre si o território que compõe o Parque Nacional Peneda-Gerês – cujas conclusões pode ler no texto “Projecto REVITAGRI identificou falhas e falta de associativismo no PNPG” – dizem-nos que é difícil reunir os produtores, interessá-los ou mesmo administrar formação (gratuita) para que possam valorizar as suas produções.

A propósito do mesmo tema, Ana Paula Vale, Directora da ESA e coordenadora do projecto RevitAgri, referia-nos que os agentes do sector continuam a ignorar o potencial do produto e que, mesmo o sector do mel, onde o associativismo de facto existe, “continuamos a ver produtores a vender mel num frasco da Tofina no mercado da esquina, sem rotulagem, sem identificação”.
Passe a publicidade à mistura de cereais da Nestlé, há algo a fazer para que não seja preciso sair do concelho para fornecer a restauração local do endógeno feijão ‘tarrestre’ ou ir aos supermercados para arranjar vasilhame onde colocar o mel produzido numa área tão exclusivamente rica como é o PNPG.

‘Edgey’ Pires e Delila Paz estiveram em Arcos de Valdevez e (desta vez) conseguimos falar com eles. Edgey tem origens arcuenses – raízes da família paterna ligam-no a Cabreiro – mas foi nos EUA que formou uma das bandas mais elogiadas do “rock rebelde” da nova vaga, os “The Last Internationale”.

São visita frequente em Arcos de Valdevez e em 2019 lançam novo álbum, que prometem apresentar ao público arcuense, assim a programação da Casa das Artes e a sua agenda de tournée entrem em consonância. Levantamos o véu sobre o que vem aí, mas também sobre a história de um início auspicioso mas não livre de percalços. Uma história para ler, ou reler, que também tem coisas para ouvir.

A corporação dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez pegou no seu melhor equipamento e foi para a rua preparar-se da melhor forma para as realidades da sua missão.
Num dia de teste à operacionalidade (e Dia da Unidade) o Comandante, Filipe Guimarães, voltou a frisar a necessidade de dotar os bombeiros de meios para eventuais ocorrências nos parques industriais do concelho, sobretudo naqueles que componentes químicos. Perante tal ameaça, Filipe Guimarães assegura que os operacionais possuem pouco mais do que alguma formação de procedimentos.
Filipe Guimarães assume mesmo que em 2019 irá avançar com um “plano B” que obrigará a uma participação activa dos industriais e da Protecção Civil local, para que o factor surpresa perante eventual desastre seja reduzido ao mínimo.

Mas como estamos em tempo de Natal – e para não ultrapassarmos o tempo de um café – ficam apenas algumas sugestões que certamente complementarão a festa desta quadra: a inauguração do Centro Interpretativo do Barroco, que ocorrerá na Igreja do Espírito Santo, no próximo dia 15, com o concerto de Rui Massena; o “Mercado de Natal” da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Arcos de Valdevez, de 18 a 23, no Mercado Municipal e as comemorações da Passagem de Ano, a 31 de dezembro, no Campo do Trasladário.

Mas o mundo e a actualidade não param no Natal. Durante este período, continuaremos atentos à nossa praça e voltaremos a fazer um resumo do que entretanto se passou, no início de Janeiro.

Até lá, boas festas!

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