Sabino Araújo (New Jersey)

“O meu trabalho é promover e divulgar o que de melhor se faz em Portugal”

Sabino Araújo, um arcuense orgulhoso, fala da sua experiência de emigrante em New Jersey, nos EUA, onde ajuda a divulgar “o que de melhor se faz em Portugal” no campo dos vinhos, numa garrafeira tipicamente portuguesa. 

Nasceu na Alemanha há 40 anos, onde os pais estavam emigrados, mas veio para Portugal com apenas alguns meses de vida. Viveu em Arcos – Salvador, Giela, S. Paio e Paçô, e depois de ter tirado um curso na área do Turismo, de ter trabalhado em empresas arcuenses, na área dos transportes de doentes e da segurança, mudou-se para New Jersey há 11 anos. E do outro lado do Atlântico, onde tantos emigrantes procuram o “sonho americano”, não pensa sair tão cedo. 

Jornal AVV – Como é que foi parar a New Jersey? 

Sabino Araújo – A decisão pelos Estados Unidos e, mais propriamente, por New Jersey teve a ver com a presença de familiares e amigos, há muitos anos radicados aqui, e que foram sem dúvida importantes para a integração e adaptação a uma realidade diferente da que estava habituado. 

Emigrou por escolha ou por necessidade financeira e/ou falta de emprego em Portugal?

Emigrar foi uma opção. Admito que as coisas, em termos profissionais, não estavam famosas e trabalhar para aquecer só mesmo à lareira é que se faz! Poderia ter optado por, simplesmente, trocar de emprego, mas senti que era como uma janela a abrir-se e decidi arriscar.

E qual é, basicamente, o seu trabalho?

A garrafeira em que trabalho há 10 anos tem o nome de Lisbon Wines & Liquors e é uma casa bem portuguesa. O meu trabalho, bem como o de todo o staff, é promover e divulgar o que de melhor se faz em Portugal no que diz respeito à área vitivinícola. 

É um trabalho que o satisfaz e que pretende manter ou apenas uma passagem para um outro possível emprego?

Adoro aquilo que faço! O mundo dos vinhos é fascinante e cativante, e o ambiente de trabalho fantástico. O dia de amanhã ninguém o sabe e como tal, nunca fecho a porta a novas oportunidades e desafios.

O que foi mais difícil na sua adaptação a New Jersey? 

Não senti grandes dificuldades de adaptação. É, sem dúvida, uma realidade muito diferente, mas como não sentia nenhum tipo de pressão e, claro, com a ajuda de amigos e familiares, foi feita de uma forma calma.

Como é que os portugueses são vistos em New Jersey?

O povo português é muito bem visto por aqui. Não só no Estado de New Jersey, mas em todos os EUA. Somos um povo acolhedor, afável e trabalhador. Não só o povo, mas também o nosso país. Recebemos constantemente visitas de clientes, novos e habituais, que visitaram o nosso país e que nos vêm relatar as suas experiências em Portugal. Nunca tivemos “notas” negativas, antes pelo contrário, ficaram fascinados e com a promessa de voltar. Através dos nossos contatos com adegas em Portugal, temos em conjunto com produtores vitivinícolas proporcionado visitas para entenderem todo o processo do vinho, desde o seu cultivo até ao engarrafamento, para conhecerem um pouco mais do nosso país.

Quais são as principais diferenças entre as culturas portuguesa e norte-americana?

É uma pergunta muito complicada de responder. Sendo os Estados Unidos um país de imigrantes, a cultura e o povo americano, hoje em dia, estão muito diversificados devido às diferentes raças e povos que se enraizaram e que foram, com o passar dos tempos, impondo as suas próprias tradições. Sendo assim, não é fácil identificar algo típico da cultura americana.

Já entranhou alguma mania dos americanos?

Não, sinceramente penso que não, continuo um português de gema!

E que tradições ou hábitos arcuenses ou portugueses gosta de manter no seu quotidiano?

Embora existam muitos clubes portugueses, não costumo frequentá-los, sendo assim não posso dizer que mantenho hábitos ou tradições.

E emigrar, compensa? 

Não obstante ter sempre de fazer contas, financeiramente compensa.

Os seus planos, a médio e longo prazo, passam pelo regresso aos Arcos? Ou pretende continuar a viver em New Jersey?

Neste ou noutro Estado, pretendo continuar por cá. 

À distância, como é que olha para o momento atual de Arcos de Valdevez? Política, social e economicamente?

Politicamente tudo continua igual, nada contra nem a favor. A política sempre foi algo que nunca me fascinou, antes pelo contrário. Socialmente e através das redes sociais, noto mais bairrismo no povo arcuense, algo que não existia, mas que me apraz constatar. Economicamente e através de amigos que me vão informando, as notícias não são as melhores, o que me entristece, mas penso que o mal é a nível nacional. 

Se pudesse, o que é que mudava ou fazia nos Arcos para beneficiar o concelho e os seus residentes? 

O turismo é algo sempre a explorar, sem dúvida, pelas nossas paisagens e também pela gastronomia. Mas esse explorar não pode ser desmedido. O nosso pequeno Tibete, Sistelo, é um exemplo do que temos para explorar em termos turísticos, mas mantendo e respeitando, e não alterando nunca o que foi criado pela natureza. 

E do que é que um arcuense a viver em New Jersey sente mais saudades (sem ser o óbvio: a família e os amigos)? O que é que lhe faz mais falta dos Arcos?

É impossível dissociar família e amigos. Penso que os Arcos no seu todo. Foi onde cresci, me desenvolvi como pessoa. Sinto orgulho em ser arcuense.

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