Centro Interpretativo do Barroco é “o melhor que se podia ter feito” para unir o culto e a cultura

A Igreja do Espírito Santo, classificada como Imóvel de Interesse Público (construída ao longo do século XVII) é, desde o dia 15 de Dezembro, a porta de entrada para a Rota do Barroco no Alto Minho.
A cerimónia inaugural do Centro Interpretativo do Barroco decorreu no renovado templo religioso, que reúne agora condições enquanto lugar de “culto e cultura” e contou com a presença do Bispo da diocese de Viana do Castelo, D. Anacleto Oliveira e do Director Regional da Cultura do Norte, António Ponte, além de outros representantes de entidades locais e regionais.

“Nos tempos que estamos a viver em relação à Igreja, foi o melhor que se podia ter feito de um edifício que foi construído para ser lugar de culto”, considerou D. Anacleto Oliveira, reconhecendo a solução cultural promovida pela autarquia arcuense a que mais respeitou os princípios daquele edifício, comparativamente a outras reutilizações dadas a estes templos. “Sem querer criticar algumas soluções, acho que a melhor foi a que encontramos aqui, porque unimos o culto à cultura”.

O Bispo da diocese de Viana do Castelo congratulou o projecto e defende que as novas ideias para o património religioso são fundamentais para a manutenção e utilidade de templos que vão ficando vazios de fiéis. “Toda a gente sabe que hoje temos lugares de culto a mais. Não temos fiéis suficientes para tanto lugar de culto. Isto deve-se a muitos factores e é um fenómeno que se alarga a todos os países tradicionalmente cristãos”, observou D. Anacleto Oliveira.

A Igreja do Espírito Santo, enquanto um dos mais importantes exemplares do Barroco no Alto Minho e do país resulta desse “excesso” de lugares de culto – motivado pela presença de pessoas no território, “mas também com a dimensão financeira”, uma vez que estes edifícios foram feitos “numa altura em que a Igreja era ‘senhora’ de tudo e de todos. Os impostos eram pagos à Igreja, não ao Estado”, observou o Bispo de Viana do Castelo na sua intervenção – volta assim a ganhar nova afluência de público.

Com um custo na ordem dos 1,1 milhões de euros, o projecto foi comparticipado em cerca de 800 mil euros por fundos europeus e pela autarquia arcuense, complementando a revitalização do imóvel com arranjos da fachada e exterior do templo.

O presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves, realçou a “conjugação entre o património e as novas tecnologias” que esta porta do Barroco alto-minhoto contempla, permitindo uma visita com “várias dimensões”.

Além da recuperação de materiais e figuras, o novo Centro Interpretativo do Barroco incorpora ainda novas tecnologias de realidade aumentada e virtual para interpretar os monumentos da região, o período do Barroco e o próprio monumento. Os conteúdos interactivos permitem ao visitante fazer uma visita guiada pelo espaço, tendo como guia o anjinho Asinhas.

Para o edil arcuense, este é “um patamar completamente diferente em termos de oferta cultural” que se apresenta “de forma moderna, dinâmica e inovadora”. Reforça também a vontade do município em promover o património “enquanto indutor do dinamismo social, cultural e económico. É importante para nós conjugar as três vertentes”.

“A dimensão tecnológica permite-nos a todos ter acesso a um tipo de informação que de outra forma não conseguiríamos ter sem perturbar, sem criar elementos artificiais para poder vê-los. Esta dimensão é extremamente importante para aproximar as camadas mais jovens, porque vão vê-lo de uma forma a que estão mais habituadas”.

“Ficou aqui hoje marcado, com este tipo de abordagem, também um novo paradigma da reabilitação e da promoção e valorização dos monumentos e da cultura em Portugal”, considerou João Manuel Esteves.
Sobre a experiência digital na visitação, com recurso à realidade aumentada através de óculos “de última geração”, o autarca assegura que “entramos noutra dimensão. Passamos a ver tudo de uma outra forma, a ver as coisas como se elas estivessem a ocorrer à nossa frente”.

A Rota do Barroco tem actualmente quatro edifícios referenciados, “três religiosos e um civil, a Casa da Ponte”, mas permite alargar-se para agregar novos pontos de visita ao espólio do Barroco. “É um processo em construção, o começo de uma recolha”, considerou o autarca.

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