Orgulhosamente pobres e atrasados

Assim como as orientações políticas de um país se vêem nas opções tomadas a nível orçamental, também as opções a nível municipal estão plasmadas nos orçamentos e planos plurianuais de investimento de cada concelho.

Em Arcos de Valdevez, há muito tempo que as preocupações dos executivos são duas:

  • Realizar algumas obras de fachada, de preferencia muito onerosas, que aparentem trabalho.
  • Promover alguns apoios sociais, para parecer que há uma séria preocupação com os mais necessitados.

Em vez de se atacar de vez os níveis de pobreza que continuam a aparecer um pouco por todo o lado, aparece-se a dar umas esmolas.

A erradicação da pobreza passa por criar condições para reverter a desertificação do concelho e por atrair riqueza. Os parques empresariais, apesar de terem um grande efeito social, oferecendo emprego a muitos arcuenses, apresentam, de uma forma geral, remunerações muito baixas. É suficiente para remediar, não o é para quem quer algo mais.

Estas questões levam-nos à política fiscal do município. 

Ouvimos cada vez mais noticias de pessoas, muitas com cursos superiores, que querem abandonar as grandes cidades e voltar para o meio rural. Olhamos para o quadro fiscal dos municípios do Alto Minho e verificamos que Arcos de Valdevez é pouco atrativo. Tem um IMI muito elevado (uma das taxas mais elevadas do Alto Minho), e apenas devolve 0,5 do IRS aos munícipes.

Perante este cenário, quem está a chegar de fora, vais escolher um concelho onde seja mais barato viver, e esse não é, certamente,  Arcos de Valdevez.

Para quem trabalha cá, nomeadamente quadros superiores das empresas dos Parques Industriais, é fácil mudar a morada fiscal para um concelho vizinho e só por isso economizar muito dinheiro ao fim do mês. Restam os pobres arcuenses que, por herança receberam imóveis, e não os podem deslocalizar…

Além desta fiscalidade ser pouco atrativa, ainda se verificam erros estratégicos nas taxas de licenciamentos. Colocar no mesmo saco a industria, o turismo, a agro-pecuária e a floresta, é um erro crasso.

Se a redução das taxas para a industria e turismo são positivas, a agro-pecuária e a floresta deveriam estar isentas e ter procedimentos  de licenciamento muito mais ligeiros.

Basta perceber que um projecto industrial, ou de turismo, pode começar a ser rentabilizado logo após a sua conclusão, na agricultura, pecuária e ainda mais na floresta, o retorno, salvo algumas excepções,  é muito mais lento. Além disso, o ganho para o concelho em termos de proteção contra incêndios e recuperação de áreas abandonadas, compensaria largamente as perdas nas taxas.

Mais uma vez, um investidor que queira aproveitar os fundos do PDR-2020, jovem agricultor ou não, vai ter em atenção os municípios que apresentam melhores condições. Também aqui, ficamos para trás nas escolhas, por somos pouco competitivos.

No turismo, as opções são claramente enviesadas. A promoção do concelho para o turismo de farnel é um erro, e a aposta em programas de televisão populistas, não trazem nenhuma mais valia ao concelho.

Objectivamente, apenas a Ecovia é um projecto com algum sentido. E mesmo esta, mal construída, continua a ter problemas graves em alguns troços, pese embora as enormes quantias já gastas em reparações. Parece que finalmente está a ser pensada a ligação a Ponte de Lima, em Jolda, o que é uma boa noticia. 

De resto, o Rio Vez continua a ter problemas graves que tardam em ser resolvidos, alguns apenas de negligência, outros de falta de visão, como por exemplo a criação de praias fluviais atrativas ao longo do seu curso. 

Os inúmeros Castros que existiam no concelho continuam abandonadas e, recursos naturais como a mata da Miranda ou o Castelo de Santa Cruz, sub-aproveitadas. 

As albufeiras no Lima continuam a pedir uma utilização para desportos náuticos, e a ecovia em Ermelo a pedir divulgação e expansão.

Finalmente, uma recuperação adequada e com um fim bem pensado. 

Ao contrário do Paço de Giela, cujas potencialidades de utilização ficaram aquém da qualidade da sua recuperação, a Igreja do Espirito Santo, foi adequadamente recuperada e terá uma utilização condizente com o monumento que é.

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