Após investimento de 1,1 milhoes de euros, o centenário Hotel Ribeira renovou-se e está mais amigo da economia local

“O Porto e Norte não faz sentido. O Alto Minho tem de valer por si só”

Cem anos após a abertura de portas, o Hotel Ribeira – hoje Ribeira Collection Hotel – mantém-se fresco sem perder a cor que lhe criou a imagem e com a qual foi fotografado milhares de vezes.
Paulo Freitas, Director-Geral da OCRAM – a empresa gestora de activos hoteleiros que é detentora da marca Piamonte Hotels – diz que foi “amor à primeira vista” e assegura que o investimento em Arcos de Valdevez será protegido em nome da história do grupo.

“A aposta em Arcos de Valdevez surgiu da procura dos dois sócios, Marco Rodrigues Dias e Rui Andrade de Matos, na procura de negócios e hotéis. Surgiu esta hipótese e acho que foi amor à primeira vista. Até podemos vir a ter cinquenta hotéis e ter de vender quarenta e nove, mas este não será vendido. Só se houver uma oferta de muitos milhões”, notou o director-geral.

Ribeira Collection Hotel em Arcos de Valdevez

A ligação a Arcos de Valdevez não se deve apenas ao “amor” pela paisagem. A marca Piamonte Hotels, que figurará associada a todos os hotéis do grupo OCRAM para os segmentos de 4 e 5 estrelas [a primeira aquisição no mercado arcuense degina-se Ribeira Collection Hotel by Piamonte Hotels], foi criada com a (re)abertura do centenário hotel nas margens do Rio Vez.

No início da época alta de 2019, com a reabertura de outro dos hotéis explorados pela OCRAM, o Castrum Villae, em Castro Laboreiro (Melgaço), será inaugurada uma marca dedicada aos hotéis para o segmento até 3 estrelas.

“Orgulhosamente” nascido em Ponte de Lima, apesar de o concelho minhoto lhe ter servido apenas de berço nos primeiros dias de vida, Paulo Freitas admite que “foi fácil” convencê-lo a assumir a direcção proposta. “Adorei o espaço. Dez minutos depois, estávamos conversados”.

“Estamos a tentar devolver aos Arcos o hotel que já cá esteve e que é um ex-libris do concelho. Vi algumas fotografias onde se vê o hotel, com as características muito próprias, que fizemos por manter”, revela o director.

Para que a renovada face do Ribeira Collection Hotel se pudesse mostrar, o grupo reconhece que foi preciso uma significativa intervenção, que implicou um investimento na ordem dos 1,1 milhões de euros.
“Quando viemos, 80% da obra já estava feita ou quase concluída. Modificamos algumas coisas, mas foi um investimento bastante grande”, notam os responsáveis.

Piscina e Spa do Ribeira Collection Hotel

Quanto às alterações, garantem, foram apenas no sentido de tornar os serviços mais “familiares” na relação com os clientes. “Foram pequenas alterações, como a recepção. O que estava no projecto era um balcão de recepção normal, e como queremos ter uma hotelaria mais próxima dos clientes, optamos por duas secretárias, para que a recepcionista esteja mais próxima dos clientes, sem parecer uma repartição qualquer”, esclarecem.

“A região [Norte] tem de se vender de uma forma completamente diferente da que se vende o Porto”

Manifestamente contra uma única entidade promotora para o Porto e Norte de Portugal, defendem que o Minho tem de valer por si enquanto estratégia turística. “Nunca vamos entrar no circuito do Porto, temos de criar um circuito próprio do Minho. Quanto a nós, a ideia era criar aqui um núcleo para promovermos o Minho como está a ser promovido o Porto. Sabemos que é difícil. Não pela nossa parte, mas é difícil, muitas vezes”, referem.
“A região do Minho é muito especial porque tem cultura, gastronomia, natureza, praias. A temperatura no Verão é fenomenal e no Inverno este cenário é fantástico. Temos aeroportos perto, sem dúvida que o Alto Minho está numa zona espectacular e altamente estratégica”, realçam ainda.
Assim, consideram que deverá haver “uma marca” que identifique o Alto Minho por si só.

“Eu sou uma voz discordante do nome [da entidade] do Turismo do Porto e Norte. Não faz sentido. Há o turismo do Porto, que é um turismo muito específico, assim como há a entidade para o Turismo de Lisboa [a ERT-RL – Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa], não existe Turismo de Lisboa e Sul. Tem de existir o Turismo do Porto, mas tem de existir também o Turismo do Norte, porque a região tem de se vender de uma forma completamente diferente da que se vende o Porto. Esse é o grande desafio que nós, na região do Alto Minho e os operadores, quer das agências de viagens, quer hoteleiros, têm de ter em mente”, esclarece Marco Rodrigues Dias, Administrador da OCRAM.

Produto local: “Se temos cá, para quê procurar fora?”

Determinados em reforçar laços com os produtores, agências e empresas de animação turística da região, os gestores do grupo querem que o mercado local seja a primeira hipótese no estabelecimento de parcerias. A parceria com a Associação dos Vinhos de Arcos de Valdevez, já estabelecida, tornou o Ribeira Collection Hotel uma montra (visível) para os vinhos originários do concelho, e um dos pontos de prova.

“Quando entramos num mercado, seja ele qual for, e neste caso é o Alto Minho, procuramos sempre trabalhar com agências e operadores parceiros. Queremos trabalhar em grande proximidade com as instituições da região. Fazemos isso aqui, como já fazemos em Castro Laboreiro, onde temos uma grande proximidade com parceiros locais: Compramos o pão à padaria da região, assim como temos parceria com um restaurante local, ou uma oferta de actividades também desenvolvidas por um parceiro local. A visão que temos é: Se temos local, para quê procurar fora?”.

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