O orçamento familiar como instrumento de educação financeira

“Vivemos numa sociedade de consumo!” Quantos de nós não ouviram já esta frase repetidas vezes, e associamo-la a algo que, se numa fase inicial representava algo de positivo, foi “estrangulando” as sociedades ocidentais. O indivíduo, na sua ânsia de melhor aceitação no meio social, procurou na aquisição de bens e serviços a solução para tal. Mas, como todas as ações têm consequências, neste âmbito fomos assistindo à padronização de comportamentos e, com o surgimento da crise económica e financeira, ao endividamento das famílias. Segundo os dados do Banco de Portugal, o endividamento passou de 40% do rendimento disponível em 1995 para 125% em 2005. Negativamente impressionante, não é?

É perante este cenário que atribuímos elementar importância à elaboração de um orçamento familiar enquanto instrumento de educação financeira.

Na elaboração deste documento o primeiro passo a tomar consiste em definir bem as linhas com que nos cosemos, o que implica que se definam os rendimentos do agregado familiar e as suas despesas fixas e variáveis.

Vertidos todos os elementos no papel, será possível perceber a necessidade (ou não) de se fazerem ajustes, e proceder a uma criteriosa distribuição dos rendimentos, sendo neste momento que podemos marcar a diferença na prossecução de uma boa saúde financeira, fazendo-o em cinco segmentos diferentes.

O primeiro segmento refere-se à habitação e todas as despesas a esta afetas (renda/pagamento de crédito hipotecário, água, luz, gás,…), ao qual devem ser destinados 35% dos rendimentos do agregado familiar.

Uma fatia de 25% destinar-se-á à alimentação, e 15% a transportes (transportes públicos ou veículo próprio).

Restam-nos ainda 25% dos rendimentos para distribuir, pelo que se aconselha que 15% se destine a despesas ocasionais do agregado familiar (refeições fora de casa, vestuário e outros créditos), e 10% a poupança.

É aconselhável que esta quantia seja resguardada logo que se receba o salário, passando a constituir um fundo de emergência, fundamental para que se faça face a custos imprevisíveis, de que damos o exemplo de o recurso a um tratamento médico ou a reparação no veículo automóvel.

Alguns de vós, após a leitura destas palavras, pensarão ser de fácil elaboração e execução um orçamento familiar. No entanto, a experiência nos últimos anos na assessoria a processos de insolvência de pessoas singulares, permite-me traçar aqui um cenário de desorganização e aflição de muitas famílias portuguesas, que apenas será possível combater com educação.

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