Mais de duas centenas caminharam contra a prospecção de lítio: “Ficou claro que não é por aqui!”

Municípios de Arcos de Valdevez, Melgaço e Monção manifestaram em conjunto a sua posição contra a prospeção e exploração de minério

No dia 12 de Maio, mais de duas centenas de pessoas dos concelhos de Arcos de Valdevez, Monção e Melgaço partiram de três pontos de cada concelho, integrantes da área denominada “Fojo” – um perímetro com mais de 7 400,00 hectares, delimitado pela empresa australiana Fortescue Metals Group Exploration no seu pedido de exploração, publicado em Diário da República a 20 de Março – fazendo confluir num único ponto, sobre as águas do Vez, a caminhada/manifesto contra a eventual prospeção de depósitos minerais nesta região.

Neste dia, as autarquias, que se associaram ao protesto e se fizeram representar por elementos do seu executivo, deram a conhecer o teor da carta elaborada em conjunto e enviada ao Diretor-geral de Energia e Geologia, assinada pelos três autarcas, onde reforçam a posição contra a prospeção e exploração.
Às deliberações de rejeição levadas a cabo pelas Câmaras Municipais e Assembleias Municipais dos três concelhos somaram-se ainda as reclamações conjuntas e individuais dirigidas à Direção-Geral de Energia e Geologia e uma petição online, com mais de dez mil assinaturas.
Com a retirada do pedido de prospeção para esta área pela empresa australiana, cuja decisão já era conhecida à altura desta caminhada de protesto, a iniciativa assinalou a “comemoração” desta vitória, mas os autarcas prometem ficar “alerta” para este tipo de propostas.

“Estamos em momento de celebração. Esta primeira batalha está ganha e mais do que uma manifestação, julgo que estamos a comemorar o facto de ter havido bom senso por parte da empresa, o trabalho sensato do Governo em relação a esta matéria e o trabalho da sociedade civil e das autarquias, para que a realidade fosse esta”, destacou o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, participante da caminhada e do pique-nique convívio que se realizou no final, no recinto da capela de Nossa Senhora da Guia, na Branda da Aveleira (Melgaço).

O autarca agradeceu aos populares “pela mobilização” e organização desta iniciativa conjunta, à qual as autarquias apenas associaram a sua voz consonante, considerando que teria sido maior se a Fortescue não tivesse, entretanto, desistido do pedido e sublinhou a mensagem para eventuais interesses de outras empresas de prospeção e exploração de minério.
“Ficou claro que não é por aqui. Se é verdade que pode haver riqueza mineral no nosso território, também é verdade que há riquezas maiores. Estas ou outras empresas que possam estar interessadas, antes de fazerem algum pedido para prospecção, com certeza que terão a noção de que não vale a pena faze-lo”, reforçou Manoel Batista.

Para os caminhantes em protesto, a visita ao território “deu para percebermos a riqueza da paisagem que temos no nosso território” e que dá mais solidez ao NÃO coletivo manifestado desde o conhecimento popular desta tentativa que poderia ser “uma atrocidade na paisagem”.

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