João Braga Simões: “Demonstrar apoio a um partido da oposição pode representar um entrave à vida profissional e pessoal”

João Braga Simões, de 31 anos, médico e professor universitário, natural de Arcos de Valdevez, é o actual presidente da Comissão Política do Partido Socialista em Arcos de Valdevez. Neste desígnio, promete re-unir o partido, combater os militantes “mais verborreicos” e fazer campanha em prol da alternância no poder para que não se ganhem “vícios difíceis de combater”.

Em entrevista ao AVV, o jovem médico e deputado na Assembleia Municipal arcuense analisa a expressão da causa socialista a nível local e explica algumas mudanças que teve de operar para que a militância ganhasse novas caras e fosse mais agregadora.
“Quando peguei no partido notava-se, fruto do resultado eleitoral, que não foi aquele que estávamos à espera e para o qual trabalhamos durante a campanha, porque acho que apresentamos um projecto ambicioso, alguma divisão e também algum esmorecimento de alguns militantes”, assume o presidente da concelhia.
Perante esta realidade, diz que tentou reunir uma equipa com que pudesse trabalhar “independentemente das diferenças”.

“Obviamente que quando se faz isso não se pode ter a veleidade de ter as vozes contrárias connosco, nem eu sequer podia ter essa ambição. Não podia ter na minha equipa pessoas que concorreram contra mim”, notou João Braga Simões.

Apesar do conturbado período pós-autárquicas, o representante da concelhia realça o crescimento sustentado da militância, que já ultrapassa largamente a centena. “Renovamos bastante a militância. Nos últimos dez anos, não houve um ano em que se militasse tanta gente como em 2018. Foram cerca de trinta militantes novos, para um cenário de cento e vinte, meter mais trinta num ano é muito positivo”, reiterou.

Os “sempre-os-mesmos” e os “verborreicos”

A renovação que diz ter vindo a conquistar não passa, como indica João Braga Simões, pelo corte com o passado. A continuidade de alguns nomes “clássicos”, que significam experiência política, é algo que o representante concelhio do PS reconhece “não abdicar”.
“Conheço as criticas de quem diz que no PS são sempre os mesmos, mas eu perguntaria se noutro partido qualquer também não são sempre os mesmos. A continuidade existe, é inevitável. Eu não posso mandar pessoas embora quando entro”.

No entanto, o desentendimento com “um ou dois” militantes de referência, que ditou algumas cisões, marcou um período em que a imagem do PS no concelho arcuense poderia ter sido beliscada. João Braga Simões garante que não. “Há um ou dois militantes mais verborreicos que parece que representam mais do que o que realmente são, mas não. A equipa está forte e a trabalhar afincadamente pelos interesses do concelho”.

“Estar na oposição pode ser um entrave à vida”

Outros interesses, resignação ou atracção pela máquina política instalada são algumas das justificações que João Braga Simões aponta para o distanciamento da vida política por parte dos jovens.

“É difícil chamar os jovens para a política, seja para que partido for. Os jovens estão interessados noutras actividades, sobretudo num tempo em que se usa ou se faz notícia da política baixa. Mais difícil é, estando num concelho em que estamos na oposição. Demonstrar apoio declarado a um partido da oposição aqui em Arcos de Valdevez, tem que ser dito, pode representar um entrave à vida profissional e pessoal no concelho. Eu percebo que muitos jovens não se queiram associar por essa razão”, apontou.

Democracia e alternância para combater vícios

“A democracia depende de eleições livres, e isso em Arcos de Valdevez sempre existiu, mas também depende da alternância. Por muito democrático um partido seja, se não houver alternância, há certos vícios dentro das estruturas que são difíceis de combater. É muito difícil escapar a todo um sistema que está criado e a que as pessoas se foram associando quase com naturalidade. Percebo a naturalidade com que muitas pessoas se colam ao poder, mas a longo prazo isso compromete a democracia e a liberdade dentro de um concelho”, considerou ainda João Braga Simões.

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