Kelly Petada: Do teatro francês às controversas comédias do teatro arcuense

Talvez a maioria da população arcuense – e outros concelhos onde o Grupo de Teatro do Vez (GTV) já actuou – conheça Kelly Petada apenas pelo protagonismo em palco, mas a verdade é que a actriz amadora protagoniza uma história de migração menos comum, quando temos França como referência.

Kelly, de 32 anos de idade, tem raízes bem arcuenses, mas nasceu em terras gaulesas. Fez em Arcos de Valdevez algum do seu percurso académico, inclusive o ensino secundário, mas foi em França, onde viveu até 2016, que teve contacto com o teatro.

Começou aos 24 anos a ensaiar com uma companhia de teatro, a Jeux de Vilains, mas à altura o ritmo dos ensaios faziam com que apenas participasse na peça do final do ano lectivo. O que, tendo em conta o ritmo dos ensaios e a intensidade das actuações que hoje vive com o Grupo de Teatro do Vez – mais de três peças em cartaz durante o ano e ensaios quase diários, em momentos de pré-estreia – era evidente que Kelly precisava desta motivação para mostrar o seu talento.

Já em Arcos de Valdevez, onde trabalha como secretária, conheceu Margarida Dias, Presidente da “Enredos & Enigmas” – Associação de Teatro, à qual pertence o Grupo de Teatro do Vez, e começou por participar e a assumir, gradualmente, funções técnicas e de protagonismo nas peças teatrais.

Nos últimos anos já participou em importantes peças que o GTV leva aos palcos, desde a Casa das Artes e Arcos de Valdevez às Freguesias e aos Lares do concelho, uma iniciativa promovida pelo município no âmbito da descentralização cultural.
“A Nobre Cauda”, “Um Regresso Inesperado” ou a ousada e controversa peça “Os Dez Cobrimentos” fazem já parte do seu currículo artístico

Em “A Justa ou o Juízo de Deus”, de Mário da Costa, director da Viv’Arte e criador a que o GTV recorre com frequência, Kelly Petada e Margarida Dias interpretam um dos momentos “explosivos” da peça.
A estreia da peça decorreu por altura da representação histórica do Recontro de Valdevez, perante dezenas de populares que se reuniram junto ao Paço de Giela, no fim-de-semana de 6e 7 de Julho. Há luta entre mulheres muito mais aguerrida do que se verá entre homens. A peça assim o mostra.

“Geralmente sou calma, mas aqui tenho de andar à luta com a Margarida”, diz Kelly [Beringária em “A Justa ou o Juízo de Deus”], que nos últimos três anos já se “vestiu” de francesa, cigana e de personagem contemporânea de D. Afonso Henriques.

Para quem não viu, há intenção de levar a peça histórica com hilariantes momentos de humor e romantismo histórico (?) aos palcos das localidades do concelho e da região. Fique atento.

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