Encontro da Diáspora Arcuense: “São estas pessoas que levam longe a nossa cultura e a nossa história. Merecem o nosso agradecimento especial”

Mais de meia centena de arcuenses representantes de associações sediadas nos países de acolhimento marcaram presença no Encontro da Diáspora Arcuense, realizado no dia 13 de Agosto.
Recorde-se que o concelho de Arcos de Valdevez tem mais de 40 associações e instituições que representam o concelho um pouco por toda a Diáspora, o que tem justificado, nos últimos anos, a confraternização anual na sua terra natal.

A sessão de boas-vindas, realizada na Câmara Municipal e presidida pelo autarca arcuense João Manuel Esteves, a par com o restante executivo, contou ainda com uma breve apresentação das vantagens económicas, empresariais e de condições para a educação que pode representar para os actuais emigrante e gerações futuras. Seguiu-se visita ao Centro Interpretativo do Barroco, inaugurado no final de 2018 e que representa o epicentro da rota do Barroco no Minho.

Depois de Sistelo em 2018, Soajo foi a localidade visitada pela comitiva e escolhida para o almoço-convívio que se seguiu, procurando manter os emigrantes, com mais ou menos anos de vivência no estrangeiro, a par das potencialidades turísticas do território.
“Todos juntos reforçarmos a identidade e o orgulho de sermos arcuenses, de promovermos a nossa cultura. É essencial para os nossos emigrantes e para os nossos descendentes”, notou o presidente da Câmara, João Manuel Esteves.

Além de um acto de agradecimento à Diáspora, através dos seus representantes associativos, a autarquia reconhece ainda o papel destes ‘embaixadores’ do concelho, que lá fora “apoiam as nossas exportações, pelos produtos que compram”, mas também pela atracção de investimento que captam para a terra-mãe.

“Somos provavelmente a única Câmara que tem um Pelouro dedicado à Diáspora, um Gabinete de Apoio ao Emigrante muito desenvolvido e um conjunto de larguíssimo de actividades, onde estabelecemos relações com as administrações e entidades em cada um desses países. Abrimos o leque e falamos de investimento, reabilitação urbana e de educação”, notou o edil arcuense.

A “vitalidade social” originada, que determina que “quase todos os meses” a autarquia desloque um representante ao estrangeiro, terá gerado retornos em termos de captação industrial para os parques empresariais arcuenses.
João Manuel Esteves assegura que “a chegada de empresas, muitas delas de capital estrangeiro, que se localizam no nosso concelho, acontece via os nossos emigrantes, que promovem o nosso concelho”.

Uma Casa do Benfica com honras de Eusébio… no Canadá

Manuel Barreira da Costa, Presidente da Junta de Freguesia de Soajo e anfitrião desta comitiva na visita ao território que tutela há várias décadas (com interrupção de um mandato pelo meio), é um dos exemplos da emigração e do associativismo que as comunidades portuguesas conquistam no estrangeiro.
Saiu de Portugal “na altura de ir para a tropa”, para França, onde esteve três anos. Dali, ‘saltou’ para o Canadá, onde esteve 22 anos, antes de voltar e ‘meter-se’ na política local, desde 1989 “até hoje”.

João Manuel Esteves e Manuel Barreira da Costa | Foto: João Martinho/AVV

Por lá, ainda fez das boas… E grandes, obras.
Como havia uma associação portuguesa “mas estava fechada”, inovou e um ano antes de vir embora, 1978, Fundou a Casa do Benfica do Canadá, com cerca de meia centena de benfiquistas que o acompanharam nesta missão de “amor à camisola”.

“Era preciso alugar um prédio para fazer a nossa sede, mas ninguém queria assumir porque já naquela altura se pagava 5 mil dólares por mês de renda. Assumi a renda em meu nome, fizemos obras e pagámo-las todas num ano. Fazíamos almoços ao meio dia, organizávamos bailes à noite, para angariar dinheiro para as despesas, e quando vim embora deixei as contas todas pagas e mais cinco mil dólares em caixa”, conta Manuel Barreira.

A inauguração, para ser em grande, teve honras de Eusébio e de Henrique Casquinha. Eusébio levava uma prenda para Manuel Barreira e em troca recebeu oito dias de férias, no luxo do Canadá. “Esteve lá oito dias connosco, tive de fazer a promoção dele. Fui a um Hotel cinco estrelas, disse que queríamos um quarto, mas não muito caro, que não tínhamos muito dinheiro. Disseram-me que, se era o Eusébio, não tinha de pagar nada, só tinha que dizer o nome do hotel em que estava hospedado nas entrevistas”. Num tempo em que o mundo ainda não sabia o que era o digital, e os ‘influencers’ eram considerados pelo mérito de obra feita.

No dia em que recebia a comitiva na sua terra natal, manifestava a sua satisfação por fazer parte deste reconhecimento da missão de quem vive lá fora. “São os nossos representantes no estrangeiro, nos diversos quadrantes. São estas pessoas que levam longe a nossa cultura e a nossa história. Devemos continuar a fazê-lo porque eles merecem o nosso agradecimento especial, de toda a gente”, realçou.

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