Qual é o desequilíbrio energético da Terra que alarma os cientistas do clima

Ambiente

O aquecimento da atmosfera terrestre está diretamente ligado à concentração de gases de efeito estufa que estão presentes lá. Mais dióxido de carbono e mais metano envolver o Planeta, mais l‘efeito radiativo (absorção da radiação solar) se intensifica. No entanto, há outro indicador, menos conhecido, que nos últimos meses tem sido citado diversas vezes, inclusive pela Organização Meteorológica Mundial, e que preocupa particularmente os cientistas do clima: o “desequilíbrio energético”.

Conhecido pela sigla Eei, Desequilíbrio Energético da Terra, permite uma melhor compreensão do estado global do sistema climático, medindo a diferença entre a quantidade de energia que entra na atmosfera da Terra e o que resulta disso. O segundo valor é dado essencialmente pela capacidade do Planeta de reflectir parte dos raios solares e pela radiação infravermelha publicado.

O desequilíbrio energético da Terra é maior do que o esperado

O conceito básico é simples: se o primeiro dado for superior ao segundo, gradativamente, a quantidade de energia recebida é transformada em calor e contribui para aumentar a temperatura média global. Os dados são coletados através de observações de satélite e medidos em watts por metro quadrado. E eles indicam qual é o desequilíbrio mais marcante do que os próprios cientistas esperavam.

Já um estudo publicado em 2025 – no qual participaram, entre outros, institutos de investigação e universidades suecos, americanos, britânicos, franceses, japoneses, suíços e alemães – explicou que nos últimos vinte anos passou de 0,6 para 1,3 watts por metro quadrado. Por outras palavras, a quantidade de calor absorvida é duas vezes superior à do final do século passado. Um valor que – daí a preocupação – deverá conduzir a um aquecimento global mais acentuado do que o esperado.

Aquecimento global em 1,37 graus centígrados em comparação com níveis pré-industriais

Por outro lado, a humanidade continua a dispersar destemida gases de efeito estufa na atmosfera: no último dia 11 de junho, outra análise envolvendo um consórcio internacional de 73 cientistas confirmou que a taxa de acumulação é “sem precedentes”. “Pelo quarto ano consecutivo – escreveram os autores – os dados em escala planetária foram atualizados e os resultados indicam que o nível de aquecimento planetário devido às atividades humanas é agora 1,37 graus centígrados em comparação com o período pré-industrialAo mesmo tempo, apesar das promessas, das conferências mundiais e dos acordos, as emissões globais de gases com efeito de estufa atingiram outro nível recorde: 56,8 bilhões de toneladas dispersos apenas em um ano, 2024. Dos quais três quartos diretamente devido à combustão de fontes fósseis.

O mesmo estudo sublinha que “o desequilíbrio energético da Terra é um indicador fundamental para a compreensão o ritmo das mudanças climáticas“. E os dados indicam que “tem vindo a aumentar desde a década de 1970” do século passado: “Esta acumulação de calor – continua a análise – é o motor do aquecimento global e afecta todas as áreas do sistema climático: aumenta a temperatura média do ar na superfície das terras emergidas e oceanos (na superfície e em profundidade), provoca a derretimento das camadas de gelo e geleiras alpinas”. O que por sua vez causa a subida do nível do mara submersão das zonas costeiras, perdas econômicas e migrações em massa.

Desequilíbrio energético entre 1960 e 2020 em 0,8 watts por metro quadrado

Outro artigo científico internacional publicado em 2023 analisou a tendência entre 1960 e 2020concluindo que o desequilíbrio é real e crescente: no balanço energético, a energia que entrou no período analisado através da radiação solar é de aproximadamente 340 watts por metro quadrado; o que saiu foi 339,7 watts. O desequilíbrio energético foi, portanto, de aproximadamente 0,8 watts.

Grande parte deste excesso de energia é absorvida pelos oceanos (cerca de 89%), o restante pelas superfícies terrestres, pelo degelo da criosfera e pela própria atmosfera. O resultado é a crise climática que vivemos.