Nota do diretor

Tudo nos ficou virtualmente tão próximo que, temos de admitir, não sabemos lidar com isto.
A observação não é nem de longe uma tese sobre o tema, mas, tendo em conta os escritos que nos chegam através das redes sociais, qualquer internauta mais atento perceberá que há algum desnorte e ódio contra tudo e todos, como se fosse necessário espalhar a uma dose diária de fel para que o indivíduo possa voltar ao lar, compreensivo, tolerante e respeitoso para com os seus pares.

Parece que não queremos ver que há um monstro que, das 9 às 5(p.m.), se manifesta através de um teclado, nesta falsa proximidade em que é ‘cool’ tratarmo-nos todos por tu, acharmos que somos todos muito frontais e que devemos dizer as coisas na cara (da foto de perfil, é mais cómodo) porque “somos todos modernos e sem floreados”. Para tornar isto mais moderno: #SomosTodosDrHouse

Urge não alimentar o monstro. É falsa a proximidade que achamos que há em relação a pessoas ou organismos, assim como é falsa a simpatia das pessoas que achamos que temos na lista de amigos das redes sociais. Não somos todos ‘buddies, não partilhamos todos o mesmo grau de proximidade, daquele que até há bem pouco tempo só se conseguia com muitos anos de vivência e partilha de experiências conjuntas.

Ora, exactamente por isso, o Jornal AVV, enquanto organismo noticioso, não é um buddy. É aquele organismo que acolhe no seu espaço notícias da esquerda e da direita política, opiniões de conformados e de indignados e de eventos de cada uma das freguesias do concelho, assim o assunto possa ser trabalhado com o devido destaque ou nos seja dado a saber.

Por isso, é falta de respeito, deselegante ou mesmo insultuoso que se coloque em questão o trabalho que procuramos fazer de forma isenta, num contexto local onde até há bem pouco tempo não havia um meio 100% digital para cumprir este propósito em Arcos de Valdevez. Mais grave ainda quando o ataque é feito por colaboradores ou outros que, através da sua opinião livre, contribuíram para que este organismo fosse um agregador de diferentes opiniões.

E não é invenção, nem tão pouco segredo que em pouco mais de três meses já recebemos as mais diversas críticas – quase sempre relacionadas com as ‘tendências’ políticas – de gente que na praça goza dos mais respeitáveis considerandos. Há os alegadamente “históricos”, há os superiormente letrados e ainda os que, na ânsia de nos atribuir uma ‘cor’ (como se fossemos um marcador do Gmail, para depois ser fácil arrumar os temas) vão sugerindo conivências políticas. A estes últimos, não os podemos culpar totalmente pelo acto, afinal, num meio onde as ‘cores’ determinam carreiras, é normal quererem saber com quem podem contar, quando for tempo alcandorar rumo ao topo da ‘pirâmide’.

O que pedimos é que mantenham o Jornal AVV fora da vossa corrida, se o que pretenderem for mais do que dar a saber o que se fez ou fará bem no concelho, aquilo que está ou pode estar mal ou simplesmente dar a saber a vossa opinião livre sobre o que entenderem.

O Jornal AVV não é o Portal da Queixa. O jornal que vos dá voz não é o vosso inimigo. Por isso, pressupondo que, ao aceitarem colaborar, entenderam que a pluralidade de opinião e a liberdade noticiosa era o propósito, é até insólito que questionem o critério daquilo que colocamos em actualidade.

Num mundo em que cada vez mais o comentário irracional inunda as caixas dos comentários dos jornais e das redes sociais, não queremos ser populares pelo deboche ou pelas mensagens de ódio contra pessoas. Se tivermos de dar o exemplo, daremos. Nem que tenha de ser a imprensa local o último reduto da dignidade e do respeito pelo outro.